Fazenda de cobras: milhões de pítons são criadas para consumo de carne e couro usados em bolsas e cintos de luxo
Criação em escala industrial movimenta mercados de alimentos exóticos e da moda de luxo em países asiáticos

Milhões de cobras da espécie píton são criadas todos os anos em fazendas especializadas espalhadas principalmente pelo Sudeste Asiático.
A produção atende dois mercados distintos, mas igualmente lucrativos: o consumo da carne e o uso do couro na fabricação de bolsas, cintos e outros itens de moda.
Países como Vietnã, Indonésia, Tailândia e China concentram boa parte dessas operações. Nessas regiões, a criação de cobras ocorre em ambientes controlados, com manejo padronizado, controle de temperatura e alimentação programada para acelerar o crescimento dos animais.
Da alimentação à moda de luxo
A carne de píton é consumida localmente e também desperta interesse internacional. Estudos indicam que ela possui alto teor de proteína e baixo nível de gordura, o que levou pesquisadores a analisá-la como possível alternativa alimentar em cenários de escassez de recursos.
Além da alimentação, o principal produto dessas fazendas é o couro de píton, considerado um material exótico de alto valor. A pele apresenta padrões naturais únicos, o que atrai marcas de moda que produzem acessórios de luxo voltados ao mercado internacional.
Após o abate, praticamente todo o animal é aproveitado. A carne segue para o consumo, enquanto a pele passa por processos de curtimento antes de ser exportada. Em alguns países, subprodutos também são utilizados na medicina tradicional ou na indústria farmacêutica.
A criação em larga escala é defendida por produtores como uma forma de reduzir a caça ilegal de cobras na natureza. Segundo eles, a produção em cativeiro ajuda a atender a demanda do mercado sem pressionar populações selvagens.
Por outro lado, organizações ambientais e de defesa animal levantam questionamentos sobre o bem-estar das cobras e as condições de criação. O tema gera debate constante entre autoridades, cientistas e defensores dos direitos dos animais.
Mesmo cercada de controvérsias, a chamada “fazenda de cobras” já se consolidou como uma cadeia econômica relevante em algumas regiões do mundo.
O modelo mostra como espécies pouco convencionais podem se transformar em produtos valiosos para os mercados globalizados de alimentos e moda.
Siga o Portal 6 no Google News fique por dentro de tudo!







