Fazenda de cobras: milhões de pítons são criadas para consumo de carne e couro usados em bolsas e cintos de luxo

Criação em escala industrial movimenta mercados de alimentos exóticos e da moda de luxo em países asiáticos

Magno Oliver Magno Oliver -
pítons abastecem dois mercados lucrativos: a carne consumida localmente e o couro usado por marcas de moda de luxo
pítons abastecem dois mercados lucrativos: a carne consumida localmente e o couro usado por marcas de moda de luxo (Imagem: Reprodução/ Captura de tela/ Youtube)

Milhões de cobras da espécie píton são criadas todos os anos em fazendas especializadas espalhadas principalmente pelo Sudeste Asiático.

A produção atende dois mercados distintos, mas igualmente lucrativos: o consumo da carne e o uso do couro na fabricação de bolsas, cintos e outros itens de moda.

Países como Vietnã, Indonésia, Tailândia e China concentram boa parte dessas operações. Nessas regiões, a criação de cobras ocorre em ambientes controlados, com manejo padronizado, controle de temperatura e alimentação programada para acelerar o crescimento dos animais.

Da alimentação à moda de luxo

A carne de píton é consumida localmente e também desperta interesse internacional. Estudos indicam que ela possui alto teor de proteína e baixo nível de gordura, o que levou pesquisadores a analisá-la como possível alternativa alimentar em cenários de escassez de recursos.

Além da alimentação, o principal produto dessas fazendas é o couro de píton, considerado um material exótico de alto valor. A pele apresenta padrões naturais únicos, o que atrai marcas de moda que produzem acessórios de luxo voltados ao mercado internacional.

Após o abate, praticamente todo o animal é aproveitado. A carne segue para o consumo, enquanto a pele passa por processos de curtimento antes de ser exportada. Em alguns países, subprodutos também são utilizados na medicina tradicional ou na indústria farmacêutica.

A criação em larga escala é defendida por produtores como uma forma de reduzir a caça ilegal de cobras na natureza. Segundo eles, a produção em cativeiro ajuda a atender a demanda do mercado sem pressionar populações selvagens.

Por outro lado, organizações ambientais e de defesa animal levantam questionamentos sobre o bem-estar das cobras e as condições de criação. O tema gera debate constante entre autoridades, cientistas e defensores dos direitos dos animais.

Mesmo cercada de controvérsias, a chamada “fazenda de cobras” já se consolidou como uma cadeia econômica relevante em algumas regiões do mundo.

O modelo mostra como espécies pouco convencionais podem se transformar em produtos valiosos para os mercados globalizados de alimentos e moda.

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Magno Oliver

Magno Oliver

Jornalista formado pela Universidade Federal de Goiás. Escreve para o Portal 6 desde julho de 2023.

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