Como Goiás criou ecossistema que é referência no Brasil em inteligência artificial
Ao Portal 6, secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação de Goiás explica pontos que fizeram estado se destacar no ramo
A consolidação de Goiás como um polo de Inteligência Artificial (IA), especialmente nos últimos três anos, tem se refletido não apenas na ampliação das oportunidades de emprego no setor, mas também no aumento da oferta de capacitações e formações especializadas.
Foi no estado, por exemplo, que a primeira turma de graduação em Inteligência Artificial do Brasil foi formada, por meio da Universidade Federal de Goiás (UFG), em parceria com o Instituto de Informática (INF). A cerimônia de colação de grau ocorreu em 22 de março de 2024.
Logo após a conclusão do curso, toda a turma — composta por 15 estudantes — foi contratada. Alguns egressos passaram a atuar em empresas nacionais, enquanto outros ingressaram em companhias internacionais, conforme noticiado anteriormente pelo Portal 6.

UFG teve turma que foi a primeira do Brasil a se graduar no curso de Inteligência Artificial (IA). (Foto: Divulgação/UFG)
À reportagem, o secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação de Goiás, José Frederico Lyra Netto, explicou que o avanço do estado no segmento é resultado de três estratégias estruturantes, baseadas em investimentos em pesquisa, empreendedorismo e formação de profissionais.
Segundo ele, uma das principais iniciativas foi a criação do Centro de Excelência em Inteligência Artificial (CEIA), ligado à UFG e financiado pelo Governo de Goiás. O secretário destacou que o estado identificou a área como estratégica e passou a investir de forma contínua. “O CEIA foi criado em 2019 e hoje é o maior centro de IA do hemisfério sul, com mais de mil pesquisadores”, afirmou.
Outro ponto destacado é o Hub Goiás, centro de empreendedorismo inovador localizado no Setor Universitário, em Goiânia, mas com atuação em todo o estado. A iniciativa funciona como um epicentro de inovação, com foco no estímulo a startups de base tecnológica. De acordo com o secretário, desde 2023, mais de 120 startups já foram apoiadas pelo programa.
Por fim, Lyra Netto ressaltou os investimentos na formação de profissionais em tecnologia, por meio das Escolas do Futuro, consideradas de padrão internacional. Conforme explicou, cada unidade recebeu cerca de R$ 7 milhões em laboratórios, e atualmente o estado conta com seis escolas voltadas à capacitação técnica e tecnológica. “Essas três iniciativas ilustram bem como Goiás está se consolidando nesse processo”, avaliou.
Mercado de trabalho
Ao analisar o mercado de trabalho em Goiás, o secretário destacou que a ampla oferta de vagas remotas permite que profissionais morem no estado e prestem serviços para empresas de outros estados ou até do exterior, como Canadá e países da Europa.
Segundo ele, há uma demanda crescente por mão de obra qualificada, e o setor segue enfrentando dificuldades para preencher vagas, o que reforça a necessidade de ampliar a formação. “É um mercado muito grande, e a Inteligência Artificial tem um papel cada vez mais importante, sobretudo na atualidade”, reforçou.
Essa realidade se reflete na trajetória de Heloisy Pereira, única mulher formada na primeira turma de Bacharelado em Inteligência Artificial do Brasil. Ao Portal 6, ela contou que a formação abriu múltiplas possibilidades profissionais e garantiu uma inserção tranquila no mercado de trabalho, considerado por ela como altamente aquecido.
Logo após concluir a graduação, Heloisy chegou a empreender ao lado de colegas, participando da criação de uma startup. No entanto, posteriormente decidiu mudar de rumo e, atualmente, atua utilizando a tecnologia em uma instituição financeira.
“Acaba que, quando a gente chega ao período pós-graduação, não existe aquela afobação de ‘preciso arrumar um emprego’. Geralmente, as coisas se encaminham de forma tranquila. Você sai e já tem um emprego mais ou menos engatilhado”, relatou.
Segundo ela, ainda durante a graduação, empresários já sondavam alunos e procuravam professores em busca de indicações para contratação. “Sempre tive muito contato com o mercado de trabalho em IA, com convites e entrevistas. É um mercado muito aquecido e há uma busca clara por profissionais bem qualificados”, afirmou.
Planos para 2026
Para os próximos anos, o secretário anunciou que o principal projeto do governo será a criação de um Distrito de Inovação em Inteligência Artificial. A proposta prevê a estruturação de um território voltado exclusivamente à tecnologia, com início na região central e no Setor Universitário de Goiânia, inspirado em modelos internacionais como o Vale do Silício e Barcelona.
“A ideia é criar um ambiente em que empresas de tecnologia estejam próximas das universidades e centros de pesquisa, formando, de fato, um polo de inovação”, explicou. Segundo ele, o distrito deverá gerar empregos qualificados, com salários mais elevados, impulsionar outros setores da economia e contribuir para a regeneração urbana da região.
O projeto prevê ainda a integração do distrito com outras cidades estratégicas, como Anápolis e Catalão, além da instalação de uma sede do CEIA dentro da área. De acordo com o secretário, o plano urbanístico deve ser lançado ainda neste semestre, entre os meses de março e abril, quando devem ter início as primeiras intervenções e obras.
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