Criatura gigante de mais de 10 metros intriga cientistas no oceano
Rara e quase invisível, uma água-viva colossal reaparece e reacende mistérios sobre a vida nas profundezas

Nas imagens captadas no fundo do oceano, ela surge devagar, quase flutuando no vazio escuro. À primeira vista, parece irreal. Mas o registro é verdadeiro e voltou a chamar a atenção da comunidade científica para uma velha constatação: ainda sabemos muito pouco sobre o que vive nas profundezas do mar.
A protagonista dessa vez é a Stygiomedusa gigantea, uma das maiores e mais enigmáticas águas-vivas já identificadas.
O que torna essa criatura tão impressionante não é apenas seu corpo avantajado, mas a extensão de seus braços.
São quatro estruturas largas, planas e flexíveis que podem ultrapassar os 10 metros de comprimento, espalhando-se pelo ambiente como faixas gigantes. Diferente das águas-vivas mais conhecidas, ela não exibe tentáculos finos e numerosos, mas braços únicos, que se movem lentamente e ocupam uma grande área ao seu redor.
Mesmo com dimensões tão chamativas, a Stygiomedusa gigantea quase nunca é observada. O motivo está no seu habitat. A espécie vive, em geral, em regiões profundas e escuras do oceano, associadas a faixas entre 1.000 e 3.000 metros de profundidade, onde a pressão é extrema e a exploração humana ainda é bastante limitada.
Ainda assim, registros mais recentes mostram que ela também pode aparecer em camadas menos profundas, entre 80 e 280 metros, algo que surpreendeu pesquisadores e levantou novas hipóteses sobre seu comportamento.
Descrita pela primeira vez em 1910, essa água-viva gigante permanece, mais de um século depois, como uma das espécies menos compreendidas do planeta.
Há poucas informações sobre sua alimentação, reprodução ou ciclo de vida. Cada nova aparição, por isso, tem grande valor científico, ajudando a mapear onde ela circula e em quais condições ambientais costuma surgir.
Outro detalhe que desafia expectativas é o fato de a Stygiomedusa gigantea não ter células urticantes conhecidas, algo raro entre águas-vivas.
Isso indica que sua estratégia de sobrevivência pode estar menos ligada ao ataque químico e mais ao uso do tamanho e da forma do corpo para capturar presas ou se proteger, criando uma espécie de armadilha silenciosa no escuro do oceano.
A coloração também contribui para o impacto visual. O corpo pode apresentar tons avermelhados, marrons ou amarelados, que se destacam quando iluminados pelas luzes de veículos submersíveis.
A campânula, parte superior do corpo, pode ultrapassar um metro de diâmetro, colocando a espécie entre as maiores águas-vivas já documentadas.
O aumento desses registros não acontece por acaso. O avanço de câmeras de alta definição e de veículos operados remotamente está permitindo que cientistas cheguem a regiões antes inalcançáveis.
Essas tecnologias possibilitam observar criaturas raras sem interferir diretamente no ambiente, revelando comportamentos e formas de vida que permaneceram ocultos por décadas.
A reaparição da Stygiomedusa gigantea funciona como um lembrete incômodo e fascinante ao mesmo tempo. Mesmo com todo o progresso tecnológico, o oceano profundo continua sendo um território cheio de lacunas.
Quando uma criatura com braços que passam dos 10 metros surge diante das câmeras, fica evidente que os limites da vida marinha ainda estão longe de serem totalmente compreendidos.
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