Carros mais baratos: Fiat planeja limitar velocidade para deixá-los mais atrativos

Marca debate travar a velocidade máxima de modelos urbanos para reduzir custos e evitar que os compactos fiquem caros demais na Europa

Isabella Valverde Isabella Valverde -
Carros mais baratos: Fiat planeja limitar velocidade para deixá-los mais atrativos
(Foto: Reprodução)

A Fiat quer mexer em um ponto que poucos fabricantes têm coragem de discutir abertamente: o preço dos carros pequenos está subindo tanto que, em alguns casos, eles já começam a se aproximar do valor de modelos maiores e mais completos.

Para tentar manter os compactos como uma opção realmente acessível, a marca colocou na mesa uma proposta que divide opiniões. A ideia seria limitar eletronicamente a velocidade máxima desses veículos, como forma de cortar custos e tornar os modelos mais atrativos para quem busca economia.

Quem defendeu a proposta foi o CEO da Fiat, Olivier François. Segundo ele, não faz sentido um carro pensado para rodar principalmente dentro das cidades sair de fábrica preparado para alcançar velocidades muito acima do que as estradas normalmente permitem.

O executivo sugeriu que os chamados “carros urbanos” poderiam ser travados em torno de 118 km/h, número que, na visão dele, já atenderia a grande parte das situações reais de uso e ficaria próximo dos limites legais mais comuns na Europa.

A lógica por trás do plano é simples: quanto maior a velocidade que o carro pode atingir, mais sistemas e tecnologias são necessários para cumprir exigências de segurança e de assistência ao motorista. Isso significa sensores, câmeras e outros recursos que aumentam o custo do projeto.

François apontou justamente esse ponto ao afirmar que tem dificuldade em entender por que veículos de entrada precisam sair equipados com tanto “hardware” caro, quando o objetivo desses modelos é ser prático, barato e voltado para deslocamentos curtos.

Na leitura da Fiat, esse avanço tecnológico, somado às novas exigências do mercado europeu, contribuiu para elevar o preço médio dos compactos de forma pesada nos últimos anos. O resultado seria um segmento cada vez menos popular e com menos espaço para consumidores que querem pagar pouco.

A discussão ganha força agora porque as regras de segurança na União Europeia vêm apertando o cerco, obrigando que novos carros cheguem com mais assistências e equipamentos que antes ficavam restritos a modelos mais caros. Na prática, o carro de entrada começa a perder a identidade de “básico e acessível”.

Mesmo assim, a proposta não deve passar sem resistência. Muita gente lembra que carro urbano não vive só de trânsito lento. Ele também pega rodovia, faz viagens curtas e serve para quem quer economizar sem abrir mão da liberdade de ir e vir.

Além disso, existe um receio sobre situações em que o desempenho pode ajudar, como ultrapassagens, quando o motorista precisa de resposta rápida do veículo.

Ainda sem confirmação de que a ideia vá virar realidade, o debate já deixa claro o caminho que a indústria começa a considerar: se a tecnologia continua encarecendo os carros pequenos, limitar desempenho pode ser uma das estratégias para manter os modelos mais baratos e competitivos no mercado.

Isabella Valverde

Isabella Valverde

Jornalista formada pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás, com passagens por veículos como a TV Anhanguera, afiliada da TV Globo no estado. É editora do Portal 6 e especialista em SEO e mídias sociais, atuando na integração entre jornalismo de qualidade e estratégias digitais para ampliar o alcance e o engajamento das notícias.

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