Ex-garçom e filho de diarista: a história de superação de goiano que virou diplomata
Com bolsas de estudo e anos de sacrifício, goiano saiu da pobreza e conquistou uma vaga no Itamaraty

Superação e inspiração. Essas são as duas melhores palavras para descrever a caminhada de Douglas Rocha Almeida, ex-garçom e professor em Luziânia, que agora pode celebrar ter se tornado um diplomatas do Brasil.
A história do goiano é tão impactante que foi ressaltada até mesmo no Instagram oficial do presidente Lula, após recepção que ocorreu no Palácio do Planalto na última quinta-feira (15).
“Histórias como a do Douglas são reais. Ele seguiu o exemplo de perseverança da mãe e, com oportunidades e apoio, conquistou o sonho de se formar no ensino superior e passar em um concurso público”, escreveu o chefe do Executivo Nacional na rede social.
E não é para pouco. Isso porque a mãe dele, Dona Cida, criou Douglas e mais três filhas com uma renda mensal de cerca de R$ 2,5 mil.
A situação era tão delicada que o jovem precisava acumular diversas fontes de renda para se sustentar e manter as economias da casa.
Ao jornal Correio Braziliense, Douglas revelou que estagiava no Ministério da Fazenda (recebendo R$ 290) e chegou a trabalhar em uma casa de festas infantis nos finais de semana.
As coisas começaram a mudar quando, em 2014, ele conseguiu uma bolsa integral pelo Programa Universidade para Todos (Prouni), para estudar Relações Internacionais na Universidade Católica de Brasília (UCB). Simultaneamente, o jovem também entrou no curso de Letras-Espanhol da Universidade de Brasília (UnB).
Contudo, os custos para manter os estudos aumentaram de tal forma que Douglas precisou adicionar mais funções no currículo.
Isso porque ele passou a trabalhar de garçom, ganhando R$ 300 por final de semana, e também fazendo serviços esporádicos, como a tradução de livros para professores.
Em meio a toda essa jornada, Douglas conseguiu se formar nas duas graduações em 2018, se mudando para o Rio de Janeiro para iniciar o mestrado na Escola Superior de Guerra, órgão do Ministério da Defesa.
Contudo, as coisas continuaram não sendo fáceis. O jovem precisava dividia uma república de três quartos com 20 pessoas, situação esta que só foi mudar quando ele conseguiu uma bolsa da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).
Agora morando em quarto individual em Copacabana, Douglas concluiu o mestrado em março de 2021 e começou a estudar para o concurso de diplomata.
Dessa forma, foram anos de esforços, trabalhando como garçom e professor na UnB, até que, em 2025, a tão sonhada aprovação veio.
Em outubro, saiu o resultado que apontava Douglas como um dos 50 classificados entre os 8.861 inscritos. Por sua vez, a nomeação aconteceu no dia 22 de dezembro.
Retorno
Agora, como diplomata, Douglas recebe um salário de R$ 22,5 mil. Porém, muito mais do que enriquecer sozinho com o dinheiro, ele revela uma meta ambiciosa de aposentar a mãe da profissão de diarista.
Após trabalhar 40 anos no ramo, a agora idosa tem problemas no nervo ciático, gordura no fígado, e doença de Chagas.
Assim, o goiano deseja que a mãe deixe a profissão para trabalhar em algo mais leve.
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