Agentes federais dos EUA matam a tiros mais uma pessoa em Minneapolis

Vítima é Alex Pretti é um enfermeiro, cidadão americano, morador da cidade

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(Foto: Reprodução/Pexels)

ISABELLA MENON, GUILHERME BOTACINI E GABRIEL BARNABÉ – WASHINGTON DC, EUA, BRASÍLIA, DF, E SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Um homem de 37 anos foi morto durante abordagem de agentes federais enviados pelo governo de Donald Trump, em Minneapolis, nos Estados Unidos, neste sábado (24). O governador de Minnesota, o democrata Tim Walz, chamou a ação de “mais um ataque a tiros horrível” por agentes federais no estado.

De acordo com autoridades, a vítima é Alex Pretti é um enfermeiro, cidadão americano, morador da cidade. O incidente ocorre duas semanas após um agente do ICE ter matado a tiros Renée Good, cidadã americana também de 37 anos, na cidade.

Em vídeo nas redes sociais, ao menos seis agentes tentam conter um homem por 20 segundos antes de realizar uma série de disparos contra ele, que fica estendido, imóvel, no chão.

O local do vídeo coincide com o endereço providenciado por autoridades locais em entrevista coletiva, próximo à esquina da avenida Nicollet com a rua 26 Leste. A ação é filmada ainda pelo ângulo oposto, de frente para a ação dos agentes. As imagens, filmadas por diversos ângulos, não sugerem que Pretti tentava agredir os agentes, mas tentado resistir à abordagem dos funcionários federais, que empurraram uma mulher próxima a Pretti.

“Acabei de falar com a Casa Branca após outro ataque a tiros horrível realizado por agentes federais nesta manhã. Minnesota não aguenta mais. Isso é repugnante”, escreveu Walz no X, logo após o incidente. “O presidente deve encerrar esta operação. Retire os milhares de oficiais violentos e não treinados de Minnesota. Agora.”

Mais tarde, Trump acusou Walz e o prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, também democrata, de insurreição.

Em entrevista a jornalistas, Frey pediu que Trump colocasse “os EUA em primeiro lugar”. “Quantos moradores, residentes, americanos precisam morrer ou serem machucados para que essa operação acabe?”, questionou.

A população local reage à escalada da violência protestando na cidade, próximo ao local em que o homem foi morto, encarando temperaturas abaixo de zero em meio a forte nevasca que atinge diversos estados do centro e do leste do país.

Em imagens nas redes e nas emissoras de TV locais, a polícia aparece usando gás lacrimogêneo, spray de pimenta e bombas de efeito moral para conter os manifestantes.

De acordo com o chefe de polícia de Minneapolis, Brian O’Hara, a polícia conseguiu identificar que o único registro policial do homem morto foi em decorrência de multas de trânsito. “Acreditamos que se trata de um portador de arma de fogo, com licença para porte”, disse o policial. Segundo o Departamento de Segurança de Minnesota, é necessária uma licença para portar armas de fogo em público, mas a legislação não exige que se oculte a arma.

Na entrevista, O’Hara afirmou que uma equipe recebeu chamado às 9h03 (12h03 em Brasília) e, quando chegou ao local, encontrou o homem com “múltiplos ferimentos por tiros”. Ele foi transportado por ambulância ao hospital, onde a morte foi confirmada.

Nas redes sociais, o Departamento de Segurança Interna afirma que a ocorrência aconteceu em meio a uma operação contra um suposto imigrante em situação irregular no país. De acordo com a pasta, um homem se aproximou de agentes com uma pistola semiautomática de 9 mm —imagens disponíveis não parecem indicar essa alegação, e o homem parece apenas filmar a ação e tentar impedir que os agentes atingissem uma mulher que havia sido empurrada.

Ainda segundo o departamento, houve uma tentativa de desarmar o homem, mas ele teria reagido de forma violenta —o homem resiste à abordagem, mas não há sinais, nas imagens, de que ele tentou agredir os seis agentes sobre ele.

“Temendo por sua vida e pela segurança de seus colegas policiais, um agente disparou tiros em legítima defesa. Os paramédicos presentes no local prestaram socorro imediato ao indivíduo, mas ele foi declarado morto no local”, afirmou o departamento, o que contradiz a fala do chefe de polícia local, que havia informado que a morte foi constatada no hospital. “O suspeito também portava dois carregadores e não tinha identificação —tudo indica que o indivíduo queria causar o máximo de danos e massacrar policiais”, disse a pasta.

O departamento afirma que cerca de 200 manifestantes chegaram ao local e começaram a obstruir e agredir as forças de segurança presentes. “Medidas de controle de multidões foram implementadas para garantir a segurança do público e das forças da lei.”

O caso tem levado políticos democratas e republicanos a discutirem nas redes sociais. Enquanto um lado chama atenção para operações de extrema violência autorizadas pelo governo Trump, do outro, há um discurso de que políticos e a imprensa estão inflamando os protestos e que o homem trata-se de alguém que tentou matar policiais.

A senadora por Minnesota, a democrata Amy Klobuchar, criticou a morte do homem de 37 anos no X e disse que “Donald Trump e todos os seus subordinados que ordenaram essa ofensiva do ICE”. Em resposta, o assessor da Casa Branca, Stephen Miller, criticou a postura da senadora dizendo: “um terrorista doméstico tentou assassinar agentes federais e essa é a sua resposta?”

“Você e toda a liderança democrata do estado têm fomentado a insurreição com o único propósito de impedir a deportação de imigrantes ilegais que invadiram o país”, completou Miller.
Escalada da violência

Há cerca de duas semanas, um agente do ICE matou a tiros a americana Renée Nicole Good. Ela foi baleada e morta a alguns quarteirões de sua casa por um agente, que, segundo autoridades federais, atirou em legítima defesa. Detalhes do tiroteio, registrado em vídeos por cidadãos comuns, sugerem que Good não tentou atingir o agente ao manobrar seu veículo.

No vídeo, é possível perceber o agente rodeando o carro. A mulher diz: “Está tudo bem, cara”. Outro agente grita para que Good saia do carro e, em seguida, ela movimenta o carro em uma ação que indica que ela buscava desviar do agente à sua frente.

Em sequência ao incidente, milhares de pessoas participaram de protestos pela cidade, contra as políticas migratórias ostensivas do governo Trump. As cidades gêmeas de Minneapolis e St. Paul, que juntas concentram mais da metade da população do estado americano de Minnesota, registraram nesta sexta (23) um dia de greve geral.

Lojistas fecharam as portas de centenas de estabelecimentos, e sindicatos convocaram trabalhadores a deixar seus locais de trabalho e participarem de manifestações contra o ICE, no que chamaram de “dia da verdade e liberdade”.

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