Espécie invasora que come até 18 kg de peixe por dia causou prejuízo histórico à pesca e ainda resiste mesmo após controle de 90%

Predador abalou ecossistema e economia de uma das maiores regiões de água doce do planeta

Pedro Ribeiro Pedro Ribeiro -
Espécie invasora que come até 18 kg de peixe por dia causou prejuízo histórico à pesca e ainda resiste mesmo após controle de 90%
(Foto: Reprodução)

A invasão da lampreia-marinha transformou os Grandes Lagos em cenário de uma das maiores crises ecológicas e econômicas já registradas em sistemas de água doce.

Capaz de consumir até 18 quilos de peixe ao longo da vida, a espécie invasora devastou populações nativas e levou ao colapso da pesca comercial e recreativa na região ao longo do século XX.

Originária do Oceano Atlântico, a lampreia-marinha foi impedida por milhares de anos de alcançar os Grandes Lagos Superiores pelas Cataratas do Niágara.

Esse bloqueio natural, porém, deixou de existir com a construção de canais e rotas de navegação, que abriram caminho para a espécie se espalhar silenciosamente por novas bacias hidrográficas.

O impacto foi profundo. Lagos como Michigan, Huron e Superior, antes famosos pela abundância de peixes de grande porte, viram suas populações despencarem.

Na década de 1940, apenas a truta-do-lago sustentava capturas comerciais anuais de milhares de toneladas, até que a pressão predatória levou ao encerramento da pesca em diversas áreas.

A reação veio a partir da década de 1950, com a criação de um amplo programa de controle coordenado pela Comissão de Pesca dos Grandes Lagos.

Após anos de pesquisa, cientistas identificaram o lampricida TFM, capaz de atingir seletivamente as larvas da espécie invasora.

A estratégia reduziu as populações em cerca de 90% e permitiu a recuperação gradual do ecossistema e da economia pesqueira, hoje avaliada em mais de 7 bilhões de dólares por ano.

Mesmo assim, a ameaça não foi eliminada. A lampreia-marinha segue presente em rios e tributários, exigindo monitoramento constante, aplicação periódica de lampricidas e o uso de barreiras físicas e elétricas.

Especialistas alertam que a história ainda não acabou e serve como exemplo de como intervenções humanas podem gerar impactos duradouros sobre a natureza.

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Pedro Ribeiro

Pedro Ribeiro

Jornalista formado pela Universidade Federal de Goiás. Colabora com o Portal 6 desde 2022, atuando principalmente nas editorias de Comportamento, Utilidade Pública e temas que dialogam diretamente com o cotidiano da população.

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