Criando 16 filhos, mulher começa pequena camisaria e transforma marca na mais famosa do Brasil
Marca nasceu de um lote de seda encalhado e da coragem de uma mulher à frente do seu tempo

Santa Catarina ainda vivia sob luz de lamparina quando Adelina Clara Hess já enfrentava jornadas que ultrapassavam 18 horas diárias.
Entre o balcão de um armazém de secos e molhados e a criação de 16 filhos, a rotina era exaustiva — mas marcada por disciplina e determinação.
O ponto de virada veio em 1954. O marido, Duda, retornou de São Paulo trazendo um grande lote de tecido de seda que não encontrou compradores.
O estoque encalhado ameaçava comprometer o capital da família e colocar em risco o sustento de todos.
Enquanto muitos enxergariam apenas prejuízo, Adelina viu oportunidade. Decidiu transformar o tecido em camisas masculinas de alto padrão.
Reuniu duas amigas, algumas máquinas de costura e improvisou o espaço de produção em um quarto da própria casa — onde, ao final do dia, as máquinas precisavam sair para dar lugar às camas.
O desafio, porém, ia além da costura. Na década de 1950, famílias resistiam à ideia de permitir que as filhas trabalhassem fora de casa.
Para vencer a desconfiança, Adelina firmou um compromisso direto com as mães da região: contrataria apenas moças virgens e garantiria que retornassem para casa nas mesmas condições. A credibilidade pessoal tornou-se o alicerce do negócio.
Com trabalho intenso e reputação sólida, a pequena produção doméstica cresceu. O nome da marca surgiu da união entre Adelina e Duda — assim nasceu a Dudalina.
Décadas depois, a empresa se consolidou como a maior camisaria da América Latina, vestindo executivos e lideranças em todo o país.
O que começou como tentativa de salvar a renda familiar tornou-se um império têxtil, fruto da visão estratégica e da coragem de uma mulher que transformou crise em oportunidade.
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