Não é no celular, nem na televisão: a melhor atividade para as crianças passarem o tempo, gastarem energia e dormirem melhor à noite, segundo recreadores

Alternativa simples pode transformar momentos de tédio em experiências mais ativas, criativas e importantes para o desenvolvimento infantil

Layne Brito Layne Brito -
a melhor atividade para as crianças passarem o tempo
( Fotos: Reprodução/Magnific)

Quando a criança diz que está entediada, oferecer o celular ou ligar a televisão pode parecer a solução mais rápida. Em poucos segundos, vídeos, jogos e desenhos ocupam a atenção e devolvem alguns minutos de tranquilidade aos adultos.

O problema aparece quando as telas se tornam a resposta automática para qualquer momento sem atividade.

Além de reduzir o espaço para a imaginação, esse hábito pode substituir experiências que envolvem movimento, interação e exploração do ambiente.

Segundo recreadores, uma das melhores alternativas é incentivar as brincadeiras livres, especialmente ao ar livre.

Correr, pular, inventar jogos e explorar espaços seguros ajudam a gastar energia e podem favorecer uma rotina mais equilibrada ao longo do dia.

Brincadeira sem roteiro estimula a criatividade

Diferentemente de uma atividade totalmente organizada por um adulto, a brincadeira livre permite que a criança escolha o que fazer.

Ela pode transformar uma caixa em carrinho, criar regras para uma corrida ou inventar personagens com objetos simples.

Esse tipo de experiência também ajuda a desenvolver iniciativa e capacidade de resolver pequenos problemas.

Em vez de receber entretenimento pronto, a criança participa ativamente da construção da brincadeira.

O adulto não precisa desaparecer completamente.

Ele pode disponibilizar materiais, garantir um ambiente seguro e ajudar no início, sem controlar todos os passos.

Movimento ajuda a gastar energia

Brincadeiras como pega-pega, esconde-esconde, amarelinha, corda, bicicleta e bola estimulam o movimento corporal.

Mesmo atividades simples dentro de casa podem ser adaptadas quando não há quintal ou espaço externo disponível.

Uma pista de obstáculos feita com almofadas, por exemplo, pode incentivar equilíbrio e coordenação.

Dançar, imitar animais ou procurar objetos escondidos também movimenta o corpo sem exigir equipamentos caros.

A intensidade deve respeitar a idade e as condições da criança. Supervisão é indispensável, especialmente em áreas abertas, perto de piscinas, escadas ou ruas.

Atividade durante o dia pode favorecer o sono

Gastar energia ao longo do dia pode ajudar a criança a chegar à noite mais preparada para descansar.

Porém, o sono não depende apenas da quantidade de movimento.

Horários regulares, ambiente tranquilo e redução de estímulos perto da hora de dormir também são importantes.

Brincadeiras muito agitadas imediatamente antes de ir para a cama podem ter o efeito contrário e deixar a criança mais desperta.

Por isso, atividades intensas funcionam melhor durante o dia ou no início da noite.

Depois, a família pode reduzir gradualmente o ritmo com banho, leitura e luzes mais baixas.

Como reagir ao “estou entediado”

Os responsáveis não precisam apresentar uma solução completa sempre que a reclamação surgir. Perguntas simples podem ajudar a criança a pensar:

“O que você gostaria de inventar?”
“Com quais brinquedos pode criar uma brincadeira?”
“Prefere desenhar, correr ou montar alguma coisa?”

Também é possível manter uma caixa com materiais acessíveis, como papéis, lápis, blocos, tecidos e brinquedos sem uma única forma de uso.

Quanto mais aberta for a proposta, maior será o espaço para a imaginação.

Ainda assim, o tédio não deve ser ignorado automaticamente.

Em alguns casos, a criança pode estar pedindo atenção, companhia ou ajuda para começar uma atividade.

Telas não precisam ser proibidas

Celular e televisão podem fazer parte da rotina, desde que não substituam sono, convivência, movimento e brincadeiras.

O mais importante é evitar que sejam usados como única resposta para todos os momentos de espera ou frustração.

Com equilíbrio, a tecnologia pode conviver com atividades físicas e criativas.

A prioridade, segundo recreadores, deve ser oferecer oportunidades para que a criança se movimente, explore e participe da própria diversão.

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Layne Brito

Layne Brito

Estudante de jornalismo na Universidade Evangélica de Goiás (UniEVANGÉLICA) e engenheira agrônoma, curiosa e sempre em busca de aprender, observar e contar histórias.

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