Multinacional que tem 9 mil funcionários decide fechar fábrica e sair do Brasil, deixando desempregados
Encerramento de operação histórica expõe mudanças na indústria e amplia a preocupação de famílias ligadas à unidade

Depois de mais de sete décadas de atividade, o som das máquinas começa a desaparecer de uma tradicional fábrica instalada na zona Sul de São Paulo. O encerramento marca o fim de um ciclo industrial e provoca incertezas entre trabalhadores, fornecedores e famílias que dependem da operação.
A unidade pertence à Isover, fabricante de materiais para isolamento térmico e acústico que integra o grupo francês Saint-Gobain.
Localizada no bairro de Santo Amaro, a fábrica deixará de produzir lã de vidro até o fim de julho de 2026.
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O fechamento foi definido após um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado entre a empresa, o Ministério Público e a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb).
Pelo cronograma, a produção deveria ser interrompida até 4 de julho, enquanto o forno de fusão de vidro deverá ser desligado definitivamente até 31 de julho.
Mais de 100 famílias afetadas
A decisão atinge diretamente mais de 100 famílias ligadas aos postos de trabalho mantidos na fábrica.
Profissionais que atuam com transporte, fornecimento de materiais, manutenção e outros serviços também podem sentir os reflexos do encerramento.
A quantidade exata de demissões não foi detalhada publicamente.
A empresa deverá negociar os desligamentos dos funcionários afetados pelo fechamento da atividade industrial.
O número de 9 mil funcionários associado à Isover não corresponde ao quadro da unidade de Santo Amaro.
Trata-se da quantidade aproximada de colaboradores da companhia distribuídos pelo mundo.
A marca está presente em 39 países e mantém cerca de 60 fábricas instaladas em 28 nações.
A Isover pertence à Saint-Gobain, multinacional francesa que atua no desenvolvimento e na distribuição de materiais destinados à construção civil e à indústria.
Acordo definiu encerramento
A paralisação da fábrica ocorre após anos de reclamações apresentadas por moradores do entorno.
Entre as queixas estavam episódios de fumaça, odores fortes, emissões atmosféricas e ruídos, principalmente durante a noite.
Moradores também relataram dificuldades para respirar, irritação na pele e ardência nos olhos.
As reclamações motivaram discussões entre a comunidade, os órgãos ambientais e os responsáveis pela operação industrial.
O acordo estabeleceu prazos para o encerramento da produção e o desligamento do forno, considerado uma das principais fontes das emissões apontadas pelos moradores.
Empresa permanece no país
Apesar do fim da produção em Santo Amaro, o grupo Saint-Gobain não deixará o Brasil.
A mudança alcança apenas a atividade industrial dessa unidade específica.
Depois do desligamento das máquinas, o imóvel deverá continuar sendo utilizado como centro de distribuição da Isover.
Dessa forma, a empresa manterá parte das operações no local, mas sem a fabricação de lã de vidro.
A Saint-Gobain também permanece presente no mercado brasileiro por meio de outras fábricas, centros de distribuição e marcas voltadas aos setores de construção, mobilidade e indústria.
Para os trabalhadores, porém, o encerramento representa uma transformação imediata.
Além da perda dos postos industriais, o fechamento põe fim a uma operação que fazia parte da história econômica de Santo Amaro havia mais de 70 anos.
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