Em 1948, um empresário ergueu uma cidade inteira no deserto para abrigar 4 mil mineiros e hoje, décadas após a mina fechar, as mais de 400 casas e o hospital seguem de pé numa das maiores cidades-fantasma

Ruas silenciosas no deserto preservam vestígios de uma comunidade que surgiu, prosperou e desapareceu com uma única atividade econômica

Gabriel Dias Gabriel Dias -
Em 1948, um empresário ergueu uma cidade inteira no deserto para abrigar 4 mil mineiros e hoje, décadas após a mina fechar, as mais de 400 casas e o hospital seguem de pé numa das maiores cidades-fantasma
(Foto: Reprodução/loveproperty.com)

No deserto da Califórnia, ruas largas conduzem a casas vazias, escolas fechadas e prédios deteriorados. O cenário pertence a Eagle Mountain, comunidade planejada que chegou a reunir cerca de 4 mil moradores antes de se transformar em uma cidade fantasma.

Ao contrário do que sugere a versão original da história, não foi o governo da Califórnia que construiu o município. Eagle Mountain surgiu em 1948 por iniciativa do industrial Henry J. Kaiser, responsável pela Kaiser Steel, para abrigar trabalhadores da mina de ferro e suas famílias.

Cidade nasceu ao redor da mina

A comunidade tinha mais de 400 casas, escolas, comércio, igrejas, instalações esportivas e atendimento médico e odontológico. A população cresceu enquanto a mina fornecia minério para a siderúrgica da companhia em Fontana.

Uma ferrovia de aproximadamente 83 quilômetros foi construída para transportar a produção. Durante 35 anos, Eagle Mountain tornou-se parte importante da estrutura industrial mantida pela empresa no sul da Califórnia.

A queda do setor siderúrgico e a concorrência externa reduziram a atividade no início dos anos 1980. As principais operações de mineração terminaram em 1983, levando moradores a procurar emprego e moradia em outras regiões.

Tentativas de dar novo uso ao local

Parte da cidade recebeu uma prisão privada em 1988, mas a unidade também acabou fechada, em 2003. Uma proposta posterior pretendia transformar as antigas cavas da mina em aterro sanitário e centro de reciclagem, porém o plano foi abandonado após anos de disputas.

Embora diversos prédios ainda permaneçam de pé, Eagle Mountain não funciona como atração turística. A antiga área urbana é propriedade privada, possui vigilância e não está aberta à visitação pública.

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Gabriel Dias

Gabriel Dias

Estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Goiás (UFG). Apaixonado por Telejornalismo e Jornalismo Cultural.

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