Marian Rojas, psiquiatra: “Não estamos apenas cansados de trabalhar, de fazer tudo, mas também de tomar tantas decisões, porque isso consome nossa saúde mental”
Especialista explica como o excesso de escolhas diárias pode levar ao esgotamento mental e afetar a capacidade de decidir

Chegar em casa depois de um dia cheio e sentir dificuldade até para escolher o que comer, qual série assistir ou qual mensagem responder primeiro pode parecer apenas cansaço. No entanto, segundo especialistas, essa sensação também pode estar relacionada ao excesso de decisões acumuladas ao longo da rotina.
A psiquiatra espanhola Marian Rojas Estapé chamou atenção para esse fenômeno, conhecido como fadiga decisional, e explicou que a sociedade atual impõe uma quantidade muito maior de escolhas do que em outras épocas.
“Não estamos apenas cansados de trabalhar, de fazer tudo, mas também de tomar tantas decisões, porque isso consome nossa saúde mental”, afirmou a médica em entrevista ao programa Fin de Semana, da rádio espanhola COPE.
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O desgaste provocado por pequenas escolhas
De acordo com estudos da psicologia cognitiva, tomar decisões exige esforço mental porque envolve avaliar informações, comparar possibilidades e prever consequências. Mesmo escolhas consideradas simples podem consumir parte da capacidade de concentração ao longo do dia.
A especialista compara esse processo ao funcionamento da bateria de um celular. Conforme a pessoa enfrenta compromissos, problemas e escolhas constantes, os recursos utilizados pelo cérebro diminuem gradualmente.
A região mais envolvida nesse processo é o córtex pré-frontal, área responsável por funções como planejamento, controle de impulsos, organização e avaliação de riscos.
Quando essa “bateria mental” está baixa, o cérebro tende a buscar caminhos mais automáticos. É nesse momento que podem surgir maior irritação, dificuldade de concentração, impulsividade e menor disposição para resolver problemas.
A sociedade das escolhas infinitas
Para Marian Rojas, uma das características do mundo moderno é a quantidade de decisões pequenas que acompanham a rotina. Além das responsabilidades profissionais e familiares, as pessoas lidam diariamente com notificações, redes sociais, compras, informações e diversas alternativas.

Marian Rojas, psiquiatra espanhola (Foto: Reprodução/Redes Sociais)
A psiquiatra cita como exemplo uma situação comum em supermercados: diante de dezenas de opções de um mesmo produto, muitas pessoas podem sentir dificuldade em escolher, mesmo quando a decisão parece simples.
Esse excesso de possibilidades também é estudado pela psicologia como um fator capaz de aumentar a sensação de sobrecarga. Quanto maior o número de alternativas, maior pode ser o esforço necessário para decidir.
Como reduzir a fadiga decisional
Uma das estratégias apontadas por especialistas é diminuir escolhas desnecessárias ao longo do dia. Criar rotinas, estabelecer prioridades e evitar decisões importantes em momentos de exaustão podem ajudar a preservar energia mental.
Marian Rojas recomenda que decisões relevantes sejam tomadas em horários de maior clareza cognitiva, geralmente no início do dia, quando o cérebro está menos sobrecarregado.
A psiquiatra também destaca a importância de organizar previamente tarefas e evitar deixar grandes escolhas para o fim da noite, período em que a capacidade de análise pode estar reduzida.
Ao simplificar parte da rotina, a pessoa consegue direcionar mais energia para decisões realmente importantes. Em uma sociedade marcada pelo excesso de estímulos, proteger a saúde mental também passa por aprender quando escolher menos.
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