Aos 36 anos, ela deixou 12 anos de carreira na indústria farmacêutica para abrir uma pamonharia em Anápolis e hoje produz 4 mil unidades por mês

Após anos conciliando emprego e produção nos fins de semana, Ana Paula decidiu investir no próprio negócio e ampliou a operação em Anápolis

Gustavo de Souza Gustavo de Souza -
Aos 36 anos, ela deixou 12 anos de carreira na indústria farmacêutica para abrir uma pamonharia em Anápolis e hoje produz 4 mil unidades por mês
Pamonha de costela com super queijo é o carro-chefe da casa e foi criada pela própria dona do estabelecimento. (Foto: Reprodução/Redes sociais/@pamonhariadaanaoficial)

Durante cerca de 12 anos, Ana Paula Rodrigues Moraes Rosa construiu uma carreira na indústria farmacêutica enquanto mantinha, paralelamente, uma produção de pamonhas. O que começou como uma forma de complementar a renda ganhou volume suficiente para fazê-la considerar uma mudança profissional.

A decisão veio aos 36 anos. Depois de perceber que as vendas de pamonha já rendiam mais do que o emprego formal, ela deixou o setor farmacêutico e passou a se dedicar integralmente ao negócio em Anápolis.

Hoje, a Pamonharia da Ana produz entre 3,2 mil e 4 mil unidades por mês. O empreendimento também passou a envolver outros integrantes da família e ampliou o cardápio com receitas como pamonha de costela com queijo, frango com bacon e Romeu e Julieta.

Produção começou durante a faculdade

A relação de Ana Paula com a venda de pamonhas começou antes mesmo da formação em Farmácia. Durante aproximadamente quatro anos, ela produziu o alimento e vendeu principalmente para colegas de trabalho para ajudar a custear a faculdade.

“Eu fazia pamonha e vendia para os colegas para custear a minha faculdade. Praticamente paguei as coisas com o dinheiro das pamonhas”, contou ao Portal 6.

Depois de formada, ela continuou trabalhando na indústria farmacêutica, mas não abandonou a produção. As pamonhas eram feitas principalmente nos fins de semana e vendidas para conhecidos e moradores da região.

O perfil profissional mantido por Ana Paula registra uma trajetória de mais de uma década no setor farmacêutico antes da dedicação integral ao empreendimento.

Com o aumento dos pedidos, ela passou a comparar a renda obtida com as vendas ao salário recebido no emprego. Segundo relatou, chegou a um ponto em que o negócio paralelo já proporcionava retorno financeiro maior.

A mudança também ocorreu em um período em que a família exigia mais presença. Um dos filhos ainda era pequeno e o mais velho entrava na pré-adolescência. “Foi uma das decisões mais difíceis da minha vida”, relembrou Ana.

Família passou a participar da operação

A loja física funciona há cerca de três anos em Anápolis. A estrutura passou a reunir o marido, a mãe e os filhos de Ana Paula, além de funcionários contratados para o atendimento e a produção.

“A gente trabalha em família. Eu acredito que foi a melhor coisa que fiz na minha vida, porque consegui ficar mais perto dos meus filhos e hoje eles trabalham comigo”, afirmou.

A produção mensal varia conforme a demanda, mas pode chegar a cerca de 4 mil pamonhas. Reportagens publicadas em 2026 também apontaram faturamento de R$ 552 mil em 2025.

O crescimento ocorreu acompanhado da ampliação do cardápio. Além dos sabores tradicionais, Ana Paula começou a testar combinações diferentes para ampliar as opções oferecidas aos clientes.

Pamonha de costela virou carro-chefe

Entre as receitas desenvolvidas está a pamonha de costela com queijo, atualmente apontada pela empresária como o principal produto da casa.

Ana Paula afirma que criou a combinação e, antes de incluí-la definitivamente no cardápio, decidiu submetê-la à avaliação de uma cliente que considerava bastante criteriosa.

“Falei para ela que tinha feito uma pamonha diferenciada e queria que ela provasse e me dissesse o que achou”, contou. Depois da avaliação positiva, a receita começou a ser comercializada e ganhou espaço entre os pedidos.

Outra criação do estabelecimento é a FranBacon, feita com frango e bacon. Há ainda a Romeu e Julieta, preparada com queijo e goiabada, que pode ser feita com massa salgada ou doce.

O cardápio também inclui pamonha de sal, doce, com queijo, linguiça e outras variações.

Redes sociais ampliaram procura

O negócio passou por outra fase de crescimento com a divulgação nas redes sociais.

Vídeos mostrando os recheios e o preparo das pamonhas alcançaram um público maior e algumas publicações ultrapassaram 1 milhão de visualizações.

O aumento da exposição também trouxe clientes de outras regiões. Ana Paula relatou ao Portal 6 ter recebido pedidos destinados a estados como Mato Grosso e Paraná. “Tem hora que eu olho o salão, vejo a fila e até choro. No começo foi muito difícil”, afirmou.

A movimentação também expôs uma limitação da estrutura atual. Com o aumento da demanda, a família começou a avaliar formas de ampliar a produção e melhorar o atendimento.

Ana Paula já mencionou publicamente a intenção de abrir novas unidades e, futuramente, estruturar um modelo de franquias. Por enquanto, o foco permanece na operação existente em Anápolis.

Onde fica a Pamonharia da Ana

A Pamonharia da Ana funciona na Avenida João Florentino, nº 21, no Residencial Araguaia, em Anápolis.

O estabelecimento abre de segunda-feira a sábado, das 9h às 21h. A produção ocorre durante diferentes períodos do dia. Os preços informados ao Portal 6 variam entre R$ 10 e R$ 14, conforme o sabor escolhido.

A trajetória atual contrasta com o início da produção, quando Ana Paula fazia pamonhas para complementar a renda e ajudar no pagamento da faculdade. Anos depois, a atividade passou a ocupar integralmente a rotina profissional e familiar da empresária.

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Gustavo de Souza

Gustavo de Souza

Estudante de jornalismo na Universidade Federal de Goiás (UFG) e repórter do Portal 6.

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