Mãe luta para conseguir canabidiol em Goiânia para filho que sofre 30 convulsões por dia: “dor que ninguém deveria passar”
Vakinha foi criada para que a família consiga a compra de dois frascos por mês, além de demais despesas
A trajetória de Benício nunca foi fácil. Na 25ª semana de gravidez e pesando pouco mais do que 560 gramas, os médicos informaram à família que ele não teria um desenvolvimento típico.
Logo após o nascimento e os 6 meses que teve de ficar internado na UTI, além de quase um ano de cuidados especiais em casa, Benício passou a também lidar com graves ataques epilépticos, em decorrência de sangramento intracraniano por conta do parto prematuro.
Com o uso de medicação, a família conseguiu controlar os episódios de crise, mas, há cerca de um mês, o pequeno, que está prestes a completar quatro anos, começou a ter de enfrentar mais de 30 convulsões por dia.
Com a medicação não mais surtindo efeito, a mãe de Benício e moradora de Goiânia, Nathalia dos Santos, de 28 anos, resolveu buscar, independentemente das dificuldades, algum tratamento que voltasse a trazer conforto ao filho.
“Todo mundo sabe que é algo ruim, mas quando você é a mãe e vê o seu menino, no chão, tendo uma crise, e você saber que não consegue ajudar, é algo que nem dá para descrever. Agora imagina isso 25, 30 vezes por dia. É uma dor que nenhuma mãe deveria passar. É cruel”, lamentou, em entrevista ao Portal 6.
Por conta das convulsões, o pequeno constantemente se machucava e apresentava contusões, ao ponto de os pais terem de comprar um capacete específico para quedas. Mesmo assim, era necessário vigiar a criança constantemente, com Nathalia tendo que se dedicar totalmente a isso, sem poder sequer trabalhar ou tomar banho quando nenhum outro parente estivesse presente.
Uma esperança
E foi assim, que conversando com uma colega, cujo filho sofre de uma condição similar, que ela ficou sabendo de um tratamento, de um médico em Salvador (BA) a base de canabidiol, que pode ser a salvação de Benício.
“A médica que eu costumava ir é totalmente contra, mas ela passou várias medicações, meu filho vivia dopado e não estava mais dando certo. Eu não posso ficar parada”, contou.
Nathalia garantiu que, para o caso do filho da amiga dela, os resultados foram extremamente positivos e que ela enxerga nesse tratamento uma das poucas esperanças para Benício.
Altos custos
O problema é que o acesso a esta medicação e a todo o processo, inclusive à dieta cetogênica – que ajuda a prevenir convulsões – ao plano de saúde e demais remédios, envolve um custo que foge da realidade da família.
Por isso, ela resolveu abrir uma vaquinha online, para poder arrecadar o valor necessário que, no momento, gira em torno de R$ 60 mil. Valores também podem ser doados através do pix [email protected].
“É o que puderem ajudar, não sou de pedir assim as coisas, mas realmente a gente não tem condição, eu só quero o que é melhor para o meu filho”, pediu Nathalia, por fim.
Enquanto isso, ela garantiu já estar em contato com um advogado que se dispôs a, gratuitamente, lutar pelo direito de Benício obter o canabidiol diretamente do Estado, o que diminuiria uma parte considerável dos custos, visto que cada frasco da medicação custa R$ 800 e Benício precisa de, no mínimo, dois deles por mês.