Nanotecnologia produzida na UFG pode originar medicamento inédito contra overdoses
Molécula desenvolvida nos estudos conseguiu reverter quadros que poderiam levar à morte

Uma nanotecnologia desenvolvida pela Universidade Federal de Goiás (UFG), em parceria com o Laboratório Cristália – complexo industrial farmacêutico brasileiro – pode dar origem a um medicamento capaz de reverter intoxicações e overdoses por anestésicos.
A descoberta é inédita, trazendo inovações quanto a uma ideia que já vinha sendo aventada pela comunidade científica desde 1995. A proposta é que esse seja um recurso de uso hospitalar.
A formulação é capaz de “sequestrar” anestésicos locais e drogas de abuso que tenham características semelhantes à lidocaína – comumente usada em pomadas, géis e sprays, mas também adicionada para adulterar cocaína.
Em outras palavras, o mecanismo permite que moléculas de substâncias químicas específicas, que são capazes de gerar reações adversas graves ou até overdose, sejam absorvidas por uma partícula microscópica. Assim, elas têm os efeitos neutralizados, revertendo quadros que poderiam levar à morte.
O estudo é baseado em nanotecnologia, uma área da ciência que desenvolve estruturas extremamente pequenas (a título de comparação, 1 nanômetro é um milhão de vezes menor que o milímetro).
Resultado de anos de pesquisa
Os primeiros resultados promissores foram descritos em um trabalho desenvolvido pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências Farmacêuticas da UFG em 2018. À época, os estudos envolveram a administração de cocaína em animais de laboratório, seguida da aplicação da nanopartícula desenvolvida.
Percebeu-se, então, que a formulação conseguia reter a maior parte do composto presente no organismo, além de controlar e normalizar sintomas típicos de uma overdose, como pressão alta e taquicardia, em apenas dois minutos.
A professora Eliana Martins, que é diretora do Centro de Pesquisa, Desenvolvimento Tecnológico e Inovação em Medicamentos da UFG (Farmatec), explica por que a formulação e a aplicação são inovadoras: “a nanotecnologia desenvolvida em 1995 é usada para administrar o fármaco de forma controlada no organismo. O que nós construímos é uma nanopartícula vazia que absorve o que está em excesso”.
Sete anos depois, a ideia é transformar a descoberta em um produto farmacêutico que possa estar disponível à população. Foi nesse contexto que surgiu a parceria com o Laboratório Cristália. O plano de trabalho deve ser executado em cinco anos.
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