Casal de Aparecida de Goiânia acredita ter reencontrado filha dada como morta há mais de 50 anos
Sem atestado de óbito e após décadas de dúvidas, idosos acionaram a Polícia Civil e aguardam exame de DNA para confirmar possível reencontro

Uma história marcada por dor e silêncio ganhou um novo capítulo e reacendeu a esperança de um casal de idosos de Aparecida de Goiânia, que acredita ter reencontrado uma filha dada como morta logo após o nascimento, em 1970.
Benedita Souza de Paula, de 82 anos, e Geraldo Rosa de Paula, de 79, afirmam que tiveram uma menina no dia 2 de setembro daquele ano, na extinta Maternidade Irmã Celina, em Goiânia. Pouco depois do parto, Benedita recebeu a informação de que a bebê havia sofrido complicações e não resistido.
O parto, a separação e o silêncio do hospital
Segundo o relato da idosa, ela não chegou a ver o corpo da filha. O hospital teria informado apenas que “cuidaria de tudo”, sem permitir contato com a criança nem fornecer atestado de óbito. Anos depois, a maternidade foi atingida por um incêndio, o que, segundo o casal, pode ter destruído registros da época.
A desconfiança de que a filha pudesse, na verdade, estar viva surgiu apenas décadas depois. Recentemente, Benedita e Geraldo procuraram a Polícia Civil (PC), afirmando acreditar que a criança possa ter sido retirada da maternidade e entregue para adoção.
A suspeita recai sobre uma mulher nascida em 1970, filha adotiva de um fazendeiro, com características físicas semelhantes às da família. Ela vive e trabalha em Aparecida de Goiânia, a menos de cinco quilômetros da casa do casal, e não tem informações sobre os pais biológicos.
Segundo Benedita, após o parto, ela foi levada à enfermaria e separada da bebê, sem receber explicações. A última vez que viu a filha foi quando um enfermeiro a levou nos braços para exames. Horas depois, enquanto sua pressão era aferida, recebeu a notícia da suposta morte.
Na época, Benedita estava sozinha na maternidade, prática comum naquele período. Geraldo só soube da morte da filha no dia seguinte, durante o horário de visitas. Ao questionar os profissionais de saúde sobre o ocorrido e sobre o corpo da criança, ouviu apenas que o hospital já havia resolvido a situação.
O casal afirma que demorou a procurar ajuda porque não sabia como agir ou a quem recorrer. Agora, mais de meio século depois, a possibilidade de encontrar respostas reacendeu sentimentos guardados por décadas.
“Eu só quero saber se ela é minha filha, dar um abraço nela. Se ela quiser me considerar, tudo bem. Só quero saber a verdade”, disse Geraldo em entrevista ao Metrópoles.
A suspeita de adoção e a esperança após 50 anos
Comovidos com a história, amigos e familiares passaram a ajudar nas buscas e chegaram até a mulher suspeita de ser a filha desaparecida. Eles chegaram a conversar por videochamada e afirmam ter reconhecido semelhanças físicas marcantes.
A PC informou que o caso está em investigação e que Benedita e Geraldo já realizaram a coleta de material biológico para exame de DNA, que deve esclarecer se há vínculo familiar.
Enquanto aguardam o resultado, o casal mantém viva a esperança de que a filha, dada como morta há mais de 50 anos, possa finalmente ser reencontrada.
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