SAMU de Anápolis mostra força como referência regional, mas enfrenta incerteza da terceirização

Relatório de atendimentos revela mais de 2 mil ocorrências em dezembro e reforça a eficiência do serviço em meio ao debate sobre terceirização

Samuel Leão Samuel Leão -
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(Foto: Divulgação)

O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) de Anápolis encerrou o último mês de 2025 com uma estatística robusta que reforça a importância estratégica da unidade para a região Centro-Norte de Goiás.

Conforme relatórios obtidos pelo Portal 6, foram realizados 2.191 atendimentos entre os dias 01 e 31 de dezembro, abrangendo não apenas o perímetro urbano de Anápolis, mas também cidades vizinhas que dependem da regulação local.

A maior parte das ocorrências foi de natureza clínica, somando 1.521 chamados. Entre os principais motivos de socorro estão dores agudas (228 casos), crises convulsivas (102) e problemas respiratórios como dispneia (89).

O relatório também aponta um dado preocupante: foram registrados 28 óbitos e 28 paradas cardiorrespiratórias (PCR) atendidas pelas equipes no período.

No setor de causas externas, os acidentes de trânsito e quedas lideram as estatísticas. Foram 633 ocorrências, com destaque para as quedas da própria altura (88) e colisões envolvendo carros e motocicletas (66).

As Unidades de Suporte Básico (USB) de Anápolis realizaram, sozinhas, mais de 1.300 saídas.

Alcance regional

A estrutura do SAMU em Anápolis funciona como o “coração” de uma rede que se estende por diversos municípios. Os indicadores por equipe mostram que cidades como Abadiânia (84 atendimentos), Alexânia (85) e Pirenópolis (85) possuem demanda constante, sendo integradas à regulação anapolina.

A presença de Unidades de Suporte Avançado (USA) em pontos estratégicos, como Corumbá e Alexânia, garante que casos de alta complexidade recebam suporte médico especializado antes mesmo de chegarem aos hospitais.

Apesar dos bons números, a atual configuração do SAMU pode estar com os dias contados, visto que avança sobre Goiás a implementação de um Consórcio, que iria centralizar e mudar o formato da gestão.

Opinião de quem vive o serviço

O médico Marlus Aparecido, que atua no SAMU em Anápolis, levantou pontos que demonstram possíveis perdas para a qualidade dos serviços caso o Consórcio, que praticamente transfere a responsabilidade para uma Organização Social (OS), seja efetivado.

“Um ponto importante: o SAMU hoje é tripartido, recebe recurso do Estado, da União e do Município. Se passar para uma OS vai receber? A gente sabe que não, em Minas não está recebendo. Além da precarização do serviço, paga-se mal para todos, e a rotatividade será muito grande”, contou.

O profissional reforçou que, atualmente, os atendimentos e a gestão são realizados por concursados, que garantem a qualidade e possuem compromisso a longo prazo. Além disso, ao sair das mãos da Prefeitura, o Poder Municipal acabaria perdendo a agilidade nas atuações e indicações de atendimentos.

“Vou trocar um serviço que funciona bem, recebe suas verbas regularmente, por incerteza? Outro ponto muito positivo é a gestão do SAMU que, hoje, é feita pela Prefeitura. Fazemos muitos atendimentos sociais. Passar para esse consórcio será mais uma terceirização aqui em Anápolis, já temos UPA’s, UBS’s e o Alfredo Abrahão”, finalizou.

Posição oficial

A Prefeitura de Anápolis havia sinalizado a intenção de aderir ao Consórcio Intermunicipal de Saúde (Cisceno), que passará a gerir o SAMU em toda a macrorregião Centro-Norte, alcançando mais de 1,1 milhão de habitantes.

A mudança, defendida pela Secretaria Estadual de Saúde (SES-GO), tem como intuito apontado otimizar recursos e centralizar a gestão para aumentar a eficiência. No entanto, o tema não é consenso.

Em uma nova consulta à Prefeitura de Anápolis, realizada pela reportagem nesta quinta-feira (08), a administração expressou que a possibilidade não está mais sendo pautado pela Secretaria Municipal de Saúde (Semusa) de modo que, provavelmente, não deve ocorrer tão cedo.

Essa mudança nos planos da gestão pode ter partido da grande rejeição demonstrada pelos próprios profissionais, que atuam tanto pelo SAMU quanto pelo Corpo de Bombeiros, que possui uma grande parceria na realização dos atendimentos na cidade.

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Samuel Leão

Samuel Leão

Jornalista formado pela Universidade Federal de Goiás, com passagens por veículos como Tribuna do Planalto e Diário do Estado. É mestrando em Territórios e Expressões Culturais no Cerrado pela Universidade Estadual de Goiás. Passou pela coluna Rápidas. Atualmente, é repórter especial do Portal 6.

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