Clientes do Will Bank reclamam de falta de dinheiro para pagar contas após liquidação do banco
Usuários relatam dificuldades com Pix, cartão e acesso ao saldo

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Clientes do Will Bank relatam dificuldades para pagar contas após a liquidação decretada pelo Banco Central nesta quarta-feira (21) e demonstram preocupação com possíveis prejuízos futuros devido a valores mantidos na instituição financeira.
Segundo relatos, a intervenção do BC na instituição financeira impossibilitou que clientes realizassem pagamentos, transferências via Pix e saques de valores mantidos na conta dos usuários, como reservas financeiras e salários. Procurado, o Will Bank afirmou que não irá se posicionar sobre o caso.
A autônoma Izabel Pierini afirma que o banco era a instituição que mais utilizava no dia a dia para operações financeiras. Ela diz ter descoberto a liquidação ao tentar realizar um pagamento de plano de saúde, sem sucesso.Ela reclama que, apesar de transações com cartão do banco terem deixado de
ser aceitas pela Mastercard na terça-feira (20), o Will Bank continuou enviando comunicações incentivando o uso de suas ferramentas. Pierini afirma ainda que mantinha cerca de R$ 1.500 na conta, valor ao qual não consegue mais ter acesso.
O influenciador Rodolfo Lima relata que utilizava com frequência o banco, atraído pelo limite elevado concedido no cartão de crédito, por volta de R$ 5.000. Ele também diz que o cartão da instituição financeira já apresentava problemas para ser aceito em lojas.
“Hoje de manhã, fui fazer uma compra e o cartão não passou. Achei estranho, porque eu tinha limite e era um estabelecimento em que o cartão sempre funcionou. Quando abri o aplicativo, apareceu uma mensagem dizendo que as operações de crédito e débito estavam suspensas temporariamente”, afirma.
Tanto Rodolfo quanto Izabel dizem que, no momento, o aplicativo do banco exibe apenas informações sobre o pagamento da fatura atual do cartão de crédito. “Me sinto lesado, principalmente pela falta de informação. Surgem dúvidas como: como pagar a dívida corretamente se não é possível acessar o histórico das faturas?”, questiona Rodolfo.
Criado em 2017 e comprado pelo Master em 2024, o banco tinha a proposta de ampliar a inclusão financeira, oferecendo produtos como cartão de crédito sem anuidade a clientes que pudessem não se encaixar no sistema bancário tradicional.
Com operações digitais e marketing forte na TV e redes sociais, sua atuação ganhou tração no Nordeste. No ano passado, chegou a 9 milhões de clientes.
No site Reclame Aqui, as queixas contra o Will Bank dispararam, e a empresa passou a exibir o selo de “reputação suspensa”, aplicado quando são identificadas irregularidades graves, dentro ou fora da plataforma.
Entre os reclamantes, um dos clientes do banco diz que tinha dinheiro parado na conta e que ele seria para um tratamento médico. Outro reclama de ter ido a um restaurante, feito a refeição e não ter dinheiro para pagar em função da liquidação.
As reclamações também se multiplicam nas redes sociais, onde clientes relatam dificuldades semelhantes.
O Banco Central decretou nesta quarta-feira (21) a liquidação do banco digital do grupo Master, ao qual o Will Bank pertence. A instituição estava, desde novembro, sob regime de administração especial temporária.
A liquidação é adotada quando o BC avalia que a situação da instituição financeira é irrecuperável. Nesse caso, o funcionamento da instituição é interrompido e ela é retirada do sistema financeiro nacional.
Segundo o BC, não foi possível encontrar uma solução para o banco após o Will deixar de pagar participantes da cadeia de cartões de crédito, incluindo a bandeira Mastercard.
Os clientes do Will Bank são cobertos pelo FGC (Fundo Garantidor de Créditos) em até R$ 250 mil por investidor ou por conglomerado financeiro. O fundo cobre depósitos a prazo, como CDBs e RDBs, depósitos à vista ou sacáveis mediante aviso prévio, além da poupança, entre outros produtos.
De acordo com dados do FGC, o valor estimado a ser desembolsado para clientes elegíveis do Will Bank após a decretação da liquidação é de R$ 6,3 bilhões.
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