Supermercados defendem contratação por hora para compensar fim da escala 6×1
Algumas redes de supermercados já estão implementando novas jornadas em seus estabelecimentos

FELIPE MENDES
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O presidente da Abras (Associação Brasileira de Supermercados), João Galassi, está empenhado em convencer o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, a adotar medidas alternativas à implementação da escala 5×2 pelos supermercados, com jornada semanal de cinco dias de trabalho e dois de descanso. Em mensagem enviada ao ministro nesta terça-feira (28), ele pediu uma agenda para discutir o tema e deve propor um endosso do governo à chamada “PEC do horista”.
A PEC (Proposta de Emenda à Constituição) 40/2025 é um projeto do deputado Mauricio Marcon (Podemos/RS). Amplamente criticada por sindicalistas, ela altera o artigo 7° da Constituição para prever a possibilidade de opção pelos empregados quanto à jornada de trabalho. Se aprovada, os funcionários poderão escolher entre o regime comum previsto pela CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) ou um regime flexível baseado em horas trabalhadas.
“Nós queremos uma segunda opção além da que temos hoje. Além do modelo mensalista, queremos o horista”, afirma Galassi à Folha de S.Paulo, em entrevista concedida no evento Smart Market Abras. Para ele, a PEC do horista traz um caminho considerado ideal.
Presidente da Abras desde 2021, o empresário afirma que o projeto de lei que acaba com a jornada 6×1 pode ser prejudicial para redes menores. “Quebra os pequenos que não têm mais que três ou quatro funcionários por seção”, diz.
Algumas redes de supermercados, como os grupos Coutinho e Savegnago, já estão implementando novas jornadas em seus estabelecimentos. Galassi diz que o nível de satisfação tem sido positivo, mas pede a manutenção da jornada semanal em 44 horas o projeto prevê a redução para 40 horas. “Não concordamos em reduzir o número de horas de 44 para 40 porque não fecha a conta, principalmente para os pequenos.”
“Se nós mantivermos as 44 horas no modelo 5×2, com o incremento da PEC do horista, vamos fechar esse assunto com a satisfação lá em cima”, diz.
Embora a PEC ainda não seja uma realidade no dia a dia das empresas, algumas redes supermercadistas estão usando plataformas digitais que conectam autônomos para fazer trabalhos eventuais em horários de pico em supermercados. A atuação dessas plataformas está na mira do MPT (Ministério Público do Trabalho).
Galassi defende que a flexibilização da jornada de trabalho é crucial para reter mão de obra, sobretudo de jovens, no varejo alimentar. “O próprio Lula falou isso para mim. Falou assim: João, meus filhos já não seguem [a CLT], eles não querem saber de carteira assinada como na época em que eu trabalhava, eles querem outra coisa, querem liberdade.”
ENTRADA NA POLÍTICA
Galassi costuma entrar no debate político e endossar pautas que envolvem o setor junto ao Congresso. Recentemente, esteve ao lado de Lula e de ministros no anúncio do decreto que mudou as regras para a operação das empresas de vale-refeição e vale-alimentação no Brasil. A entidade também foi atuante na implementação da lei nº 15.357/2026, que autorizou a venda de remédios em supermercados.
Diante da boa interlocução em Brasília, crescem os rumores de que Galassi irá se filiar a um partido para disputar uma vaga na Câmara nas próximas eleições. Ele desconversa, mas duas fontes disseram à Folha de S.Paulo que Galassi será o representante do setor ao Congresso. “É uma decisão futura, não para agora”, afirmou.
Questionado sobre os impactos da guerra no Oriente Médio, criticou o cenário dos juros no país e projetou a inflação de itens básicos caso o Banco Central freie o ritmo dos cortes na Selic. “A política de juros no nosso país precisa ser revista urgentemente”, diz. “[O preço] a cesta básica não vai se segurar, porque há uma questão de mercado, embalagem, transporte, tudo isso vai impactar no preço dos alimentos e da carne.”
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