Valor médio da taxa de condomínio bate recorde em Goiânia e dificulta busca por apartamentos
Levantamento mostra que, na capital goiana, a média de custos com manutenção predial chegou a R$ 617 mensais
Que o aluguel e os imóveis para comprar em Goiânia estão ficando cada vez mais caros, isso quase todo goianiense já sabe. Mas tem outro vilão que tem dificultado, e muito, a vida de quem busca um lugar para morar: a famosa taxa de condomínio.
Um levantamento feito pela empresa de tecnologia Loft mostrou que, na capital goiana, o valor da taxa de condomínio subiu em média 10% entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026. Segundo o estudo, o valor médio mensal do condomínio na cidade chegou a R$ 617.
Os dados mostram que o aumento nos custos para manutenção predial afetou principalmente bairros que estão crescendo no adensamento populacional, ou seja, aqueles setores que recebem cada vez mais moradores.
Esse é o caso do Setor Leste Universitário, onde foi registrado o maior aumento percentual. Segundo o levantamento, o bairro teve um aumento médio de 25% nas taxas de condomínio.
Também figuram como recordistas bairros como o Jardim América (20%), o Parque Amazônia (19%), o Setor Pedro Ludovico (18%) e a Vila Rosa, com crescimento de 17%.
Quando analisados quais setores têm as maiores taxas, em valor absoluto, destacam-se aqueles centrais e tradicionalmente valorizados. No Setor Oeste, por exemplo, a média de gasto mensal com condomínio atingiu R$ 900.
Confiras as variações:
Bairros com maiores preços da taxa de condomínio (Jan 26, média em R$)
Setor Oeste – R$ 900
Setor Marista – R$ 890
Jardim Goiás – R$ 800
Setor Bueno – R$ 720
Setor Bela Vista – R$ 690
Bairros com maiores crescimentos da taxa de condomínio (Jan 26, em %)

Prints mostram anúncios com taxa de condomínio acima de R$ 650 (Imagens: Captura de tela)
Setor Leste Universitário – aumento de 25%
Jardim América – aumento de 20%
Parque Amazônia – aumento de 19%
Setor Pedro Ludovico – aumento de 18%
Vila Rosa – aumento de 17%
O que causa este aumento?
Em entrevista ao Portal 6, o gerente de dados da Loft, Fábio Takahashi, relata que os aumentos estão ligados a dois fatores principais: o aumento na qualidade dos serviços dos condomínios, e os custos com pessoal e serviços terceirizados.
“As pessoas estão investindo mais em imóveis e exigindo melhores serviços, como atividades de limpeza, segurança, jardinagem e manutenção predial, o que naturalmente aumenta as taxas”, disse.
“Outro fator é justamente o mercado de trabalho. Estamos em um momento aquecido na geração de empregos, e também com aumento nos gastos com pessoal que atua na manutenção. Isso gera uma pressão nos custos do condomínio”, complementou à reportagem.
Isso é explicado não só pelos salários de funcionários dos condomínios, mas também pelo encarecimento dos contratos que os empreendimentos fazem com empresas prestadoras de serviços, como as que fazem pintura predial, limpeza de vidros e serviços gerais, por exemplo.
Sobre o fato de os maiores aumentos serem registrados em bairros mais populares, Fábio relata que isso pode ser explicado pelo processo de verticalização que vem ocorrendo nesses setores, ou seja, o crescimento no número de prédios residenciais.
Quanto mais prédios novos em regiões onde só predominavam casas, maior a variação estatística percebida nas taxas de condomínios.
Taxas dificultam busca por moradia
Gabriella Victória, de 24 anos, está buscando um apartamento para alugar em Goiânia, e conta que tem tido dificuldade de encontrar imóveis acessíveis, justamente pelas taxas elevadas.
“Eu procuro principalmente na OLX, e algumas vezes pelas imobiliárias. Também costumo andar pelos bairros que gosto. Mas quando encontro um imóvel interessante e vou verificar o preço, as taxas estão muito caras”, disse à reportagem.
Ela relata que chegou a encontrar um apartamento de apenas um quarto no setor Parque Amazônia com taxa condominial de R$ 850. Com o susto, a solução encontrada por ela tem sido buscar por bairros um pouco mais afastados de onde gostaria de morar.
“Não quero um lugar muito distante nem da minha família, nem do meu trabalho. Até porque estou sem transporte próprio no momento. Mas infelizmente, os que consigo encontrar estão bem caros”, completou.
O mesmo drama tem sido vivenciado por Letícia Dias, de 28 anos. Ela conta que mesmo quando encontra um imóvel com aluguel atrativo, as taxas impedem o fechamento do negócio.
“O aluguel em si não é o problema, o problema é a taxa de condomínio, porque tem ótimos apartamentos que cabem na minha faixa de preço. Mas quando você olha o valor do condomínio, chega a quase metade do aluguel”, relata a jovem.
Ela conta que, inclusive, chegou a encontrar imóvel com taxa de condomínio mais cara que o próprio aluguel. Em outro caso, se deparou com um apartamento no setor Oeste com condomínio que ultrapassava os R$ 1 mil.
“É absurdo. Geralmente são prédios antigos, com menos conveniências e menos vantagens, mesmo assim o condomínio é muito alto. Em contrapartida, se você vai apreçar em prédios mais novos, o condomínio é menor, porém o aluguel é mais alto”, disse.
A estratégia encontrada por Letícia é buscar por bairros adjacentes aos que ela gostaria de morar, que oferecem proximidade com as regiões centrais de Goiânia, mas por preços mais acessíveis, visto que são menos conhecidos e visados.
“Vale a pena dar uma olhada em micro-setores próximos a essas regiões, que não tem tanta busca, mas oferecem as mesmas vantagens. Por exemplo, se alguém quer morar no Bueno ou no Marista, pode encontrar opções melhores no setor Bela Vista, que é perto, ou no Serrinha”, comentou à reportagem.
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