Fábrica fecha as portas e demite mais de 300 funcionários, que acabam na frente da unidade em busca dos direitos
Fábrica fecha as portas e demite mais de 300 funcionários em São José dos Pinhais, gerando acampamento, tensão trabalhista e disputa sobre verbas rescisórias

O anúncio de que a fábrica fecha as portas e demite mais de 300 funcionários em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, gerou mobilização imediata em frente à unidade industrial.
Assim, trabalhadores e familiares passaram a permanecer no local para cobrar o pagamento das verbas rescisórias e a garantia dos direitos trabalhistas.
Demissão coletiva pegou trabalhadores de surpresa
A mobilização começou em 5 de janeiro de 2026. Na data, a empresa informou o encerramento das atividades e o desligamento coletivo.
No entanto, segundo o Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba (SMC), os empregados não receberam um cronograma claro de pagamento no momento do anúncio.
Por isso, a falta de prazos definidos aumentou a insegurança entre os trabalhadores. Além disso, muitos relataram preocupação com valores pendentes e benefícios ainda em aberto desde dezembro de 2025.
Dessa forma, o clima de incerteza se intensificou logo após a comunicação do fechamento.
A unidade ficava na região da Colônia Murici, área industrial do município. Nesse contexto, a planta atuava na produção de condutores elétricos, cabos e componentes usados em obras e redes de infraestrutura.
Acampamento na entrada da fábrica para pressionar negociações
Desde o fechamento, os trabalhadores mantêm acampamento na entrada da fábrica. Segundo o sindicato, a permanência no local busca impedir a retirada de máquinas, equipamentos e materiais antes de um acordo formal sobre as rescisões.
Além disso, a medida funciona como estratégia de cautela. Isso ocorre porque parte dos funcionários afirma que ainda possui valores a receber.
Enquanto isso, durante as negociações, houve sinalização de depósito parcial em data indicada pela entidade sindical.
Mesmo assim, a principal cobrança continua sendo a formalização do acerto completo. Portanto, os trabalhadores também exigem garantias de que todos os pagamentos ocorrerão dentro dos prazos legais.
Disputa sobre tempo de serviço amplia o impasse
O ponto mais sensível do conflito envolve o cálculo das verbas rescisórias. Em especial, a divergência gira em torno do reconhecimento do tempo de serviço dos empregados na mesma unidade.
De acordo com o sindicato, muitos trabalhadores já atuavam na antiga Conduspar, que entrou em recuperação judicial em 2023.
Assim, a entidade defende que a transição para a Dipro ocorreu com continuidade do contrato de trabalho.
Consequentemente, o tempo de casa deveria ser contado de forma integral. Com isso, direitos como aviso-prévio, férias proporcionais e demais verbas vinculadas ao histórico do contrato seriam ampliados.
Por outro lado, a versão atribuída à empresa considera apenas o período sob gestão da Dipro. Dessa maneira, esse critério reduziria o tempo de serviço reconhecido para parte dos empregados e alteraria o valor final das rescisões.
Empresa cita dificuldades financeiras para encerrar atividades
Em nota divulgada por veículos regionais, a Dipro do Brasil informou que o encerramento ocorreu após a rescisão consensual do contrato de compra de uma Unidade Produtiva Isolada (UPI) ligada à Conduspar.
Além disso, a empresa citou dificuldades econômico-financeiras como motivo para a decisão.
Ainda segundo a manifestação, a empresa declarou que não existem atrasos salariais. Ao mesmo tempo, afirmou que pagará as verbas rescisórias dentro dos prazos legais, com acompanhamento do sindicato da categoria.
Pagamento das rescisões e liberação de direitos trabalhistas
A legislação trabalhista prevê o pagamento de saldo de salário, férias proporcionais e 13º proporcional em demissões sem justa causa. Além disso, o empregador deve regularizar o FGTS e entregar a documentação necessária para o seguro-desemprego, quando preenchidos os requisitos legais.
Nesse cenário, a discussão sobre a continuidade do vínculo entre Conduspar e Dipro se tornou decisiva. Afinal, qualquer divergência nesse reconhecimento muda a base de cálculo das verbas rescisórias.
Enquanto a empresa afirma que seguirá as regras legais, os trabalhadores mantêm a mobilização em frente à unidade.
Assim, a permanência no local funciona como forma de pressão e também como medida de segurança até a apresentação dos documentos, comprovantes de pagamento e definição oficial do acerto.
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