A casa construída entre quatro rochas vive sem eletricidade há 50 anos e desafia a arquitetura

Uma construção incomum desafia padrões modernos e intriga visitantes há décadas

Magno Oliver Magno Oliver -
A casa construída entre quatro rochas vive sem eletricidade há 50 anos e desafia a arquitetura
(Foto: Captura de tela / Youtube / Canal Tiago Miró)

Erguida em meio às montanhas do norte de Portugal, a Casa do Penedo completa cinco décadas como um dos exemplos mais emblemáticos de arquitetura integrada à paisagem natural na Europa.

Construída em 1974 nas Serras de Fafe, a residência foi implantada entre quatro blocos de granito pré-existentes e permanece, até hoje, sem ligação à rede elétrica.

Em um cenário global marcado por automação, conectividade e alto consumo energético, o imóvel se tornou referência em vida off-grid e arquitetura orgânica, atraindo pesquisadores, arquitetos e turistas.

Idealizada por um engenheiro português como refúgio familiar de férias, a casa seguiu uma lógica oposta à da construção convencional.

Em vez de remover as rochas ou nivelar o terreno, o projeto incorporou os blocos graníticos como parte estrutural da edificação.

As pedras funcionam simultaneamente como fundação, paredes e elementos de sustentação do teto. O preenchimento foi feito com concreto armado e madeira, criando uma estrutura híbrida que respeita a morfologia natural do terreno.

O resultado é uma edificação sem linhas retas evidentes, cuja forma irregular reforça o conceito de mimetismo arquitetônico, abordagem associada à chamada arquitetura orgânica.

Do ponto de vista técnico, a construção antecipa debates contemporâneos sobre baixo impacto ambiental.

Segundo especialistas em arquitetura sustentável e publicações acadêmicas europeias sobre integração paisagística, projetos que utilizam elementos naturais como parte estrutural reduzem significativamente movimentações de solo e emissão de carbono associada a grandes obras.

Embora não tenha sido concebida com a terminologia moderna de sustentabilidade, a Casa do Penedo se alinha a princípios hoje discutidos em fóruns internacionais de arquitetura bioclimática: mínima interferência no terreno, uso racional de materiais e adaptação ao relevo existente.

A residência nunca foi conectada à rede elétrica. A iluminação é feita com velas e o aquecimento ocorre por meio de lareira central em pedra. Não há sistemas tecnológicos complexos, isolamento térmico avançado ou infraestrutura urbana convencional.

Essa característica, que nos anos 1970 era apenas uma escolha pessoal, passou a dialogar com o conceito contemporâneo de vida off-grid, modelo que prioriza autonomia energética e redução do consumo.

Relatórios recentes da Agência Internacional de Energia e estudos europeus sobre transição energética indicam crescimento no interesse por habitações autossuficientes, especialmente após crises energéticas e debates sobre mudanças climáticas.

Projeção e notoriedade

Com a popularização de imagens aéreas e reportagens exibidas por canais como Portugal visto do Céu, a Casa do Penedo ganhou notoriedade internacional.

O aumento do fluxo turístico levou os proprietários a reforçarem a segurança e organizarem visitas controladas, transformando o antigo refúgio em pequeno espaço museológico.

Atualmente, o imóvel é considerado um marco cultural e arquitetônico em Portugal, citado em estudos sobre preservação patrimonial e turismo sustentável.

Ao completar meio século, a casa permanece como símbolo de uma inversão conceitual: em vez de adaptar a natureza à construção, adapta-se a construção à natureza, um debate que segue atual diante dos desafios ambientais do século XXI.

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Magno Oliver

Magno Oliver

Jornalista formado pela Universidade Federal de Goiás. Escreve para o Portal 6 desde julho de 2023.

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