Não é frieza: por que algumas pessoas têm dificuldade em demonstrar sentimentos, segundo psicólogos
Especialistas explicam por que a dificuldade em expressar emoções pode estar ligada a mecanismos de defesa e experiências do passado

Nem todo mundo consegue dizer “eu te amo” com naturalidade, chorar na frente dos outros ou falar sobre o que sente sem travar.
Para quem está de fora, esse comportamento pode parecer frieza, indiferença ou falta de afeto.
No entanto, segundo psicólogos, a dificuldade em demonstrar sentimentos costuma ter explicações bem mais profundas e, muitas vezes, envolve proteção emocional, aprendizado de vida e estilo de comunicação.
Ou seja, nem sempre a pessoa sente menos. Em muitos casos, ela apenas aprendeu a sentir em silêncio.
O que significa ter dificuldade para demonstrar sentimentos?
Em primeiro lugar, vale diferenciar duas coisas: sentir e expressar.
A pessoa pode viver emoções intensas e, ainda assim, ter dificuldade para colocá-las para fora.
Isso acontece porque a expressão emocional depende de repertório, segurança e experiência prévia.
Além disso, alguns indivíduos crescem com a ideia de que mostrar emoção é sinal de fraqueza.
Consequentemente, eles aprendem a controlar o que sentem para evitar críticas, vergonha ou rejeição.
Motivos comuns apontados pela psicologia
A seguir, veja razões frequentes que ajudam a explicar por que algumas pessoas parecem “fechadas”, mesmo quando se importam.
1. Educação emocional rígida na infância
Muitas pessoas escutaram frases como “engole o choro”, “isso é drama” ou “para de frescura”.
Com o tempo, elas passam a reprimir emoções para se adaptar ao ambiente.
Assim, na vida adulta, expressar sentimentos pode gerar desconforto ou até culpa.
2. Medo de vulnerabilidade
Demonstrar sentimento expõe.
Portanto, quem já passou por rejeições, críticas ou relações instáveis pode criar uma estratégia de defesa: mostrar menos para sofrer menos.
Mesmo quando existe afeto, a pessoa evita se abrir para não perder o controle da situação.
3. Experiências de trauma e proteção emocional
Em alguns casos, traumas emocionais ou situações difíceis fazem o cérebro priorizar proteção.
Dessa forma, o indivíduo se torna mais reservado, evita conversas profundas e pode ter dificuldade em acessar emoções no dia a dia.
Não se trata de falta de amor, mas de autopreservação.
4. Dificuldade de identificar emoções
Nem sempre a pessoa sabe nomear o que sente.
Quando falta vocabulário emocional, fica difícil comunicar.
Assim, em vez de falar, ela se cala.
Além disso, pode parecer “fria”, quando na verdade está confusa ou sobrecarregada.
5. Estilo de comunicação mais racional
Algumas pessoas expressam afeto por atitudes, não por palavras.
Elas ajudam, resolvem problemas, lembram detalhes e cuidam em silêncio.
Por isso, quem espera demonstrações verbais pode interpretar errado, mesmo que o sentimento esteja presente.
6. Ansiedade social e medo de julgamento
Para algumas pessoas, abrir o coração aumenta a sensação de exposição.
Consequentemente, elas evitam falar sobre emoções por receio de parecerem fracas, exageradas ou “carentes”.
Assim, preferem manter a imagem de controle.
Como perceber afeto em alguém que demonstra pouco?
Em vez de observar apenas declarações, psicólogos sugerem olhar para constância e atitudes.
Por exemplo, a pessoa se faz presente? Ela se preocupa com seu bem-estar? Ela demonstra cuidado em pequenas ações?
Muitas vezes, o afeto aparece em gestos discretos, como oferecer ajuda, perguntar se você chegou bem ou lembrar de algo importante para você.
Portanto, a linguagem do amor pode ser diferente, mas não necessariamente menor.
O que fazer quando isso afeta a relação?
Se a falta de demonstração causa sofrimento, a melhor saída é conversar com clareza e sem acusação.
Em vez de “você é frio”, funciona melhor dizer “eu me sinto inseguro quando não sei o que você está sentindo”.
Além disso, terapia pode ajudar.
Com apoio profissional, a pessoa aprende a reconhecer emoções, ampliar repertório e se comunicar com mais segurança.
No fim, rotular alguém como frio pode ser injusto.
Muitas vezes, o que parece distância é apenas um modo de proteção aprendido ao longo da vida.
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