Acusada de desviar R$ 1 milhão, ex-aluna de medicina da USP é condenada por fraude em lotérica

Crime ocorreu em julho de 2022, quando a acusada utilizou a relação de confiança com funcionários da lotérica para solicitar o registro de apostas de alto valor

Gabriel Yure Gabriel Yuri Souto -
Ex-aluna da USP é condenada por fraude em lotérica após apresentar comprovantes de Pix não efetivados para registrar apostas de alto valor em São Paulo.
(Foto: Reprodução)

A ex-aluna de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), Alicia Dudy Muller Veiga, recebeu condenação a três anos de reclusão, além de 30 dias de multa, por aplicar um golpe em uma casa lotérica na capital paulista.

A juíza Adriana Costa, da 32ª Vara Criminal do Foro Central Criminal da Barra Funda, assinou a sentença, conforme informações registradas pelo jornal que divulgou o caso.

De acordo com o Ministério Público de São Paulo (MP-SP), o crime ocorreu em julho de 2022, quando a acusada utilizou a relação de confiança com funcionários da lotérica para solicitar o registro de apostas de alto valor.

Para convencer os atendentes, ela apresentou comprovantes de transferências via Pix que indicavam pagamentos que, na prática, não haviam sido efetivados.

Golpe envolveu apostas registradas sem pagamento real

Segundo a investigação, as apostas alcançaram cerca de R$ 193 mil. Inicialmente, os funcionários registraram os jogos após analisarem os comprovantes apresentados.

No entanto, inconsistências nas transferências levantaram suspeitas e mudaram a condução do atendimento.

Durante a apuração do caso, os autos apontaram que Alicia exibiu um comprovante de valor muito inferior ao total das apostas, com o objetivo de reforçar a aparência de regularidade.

Em seguida, ela deixou o local levando bilhetes de alto valor, o que caracterizou o prejuízo à lotérica.

Na sentença, a magistrada destacou a existência de fraude deliberada e planejamento da conduta. Depoimentos, registros das apostas e documentos bancários sustentaram o entendimento judicial sobre a autoria e a materialidade do crime.

Defesa anuncia recurso contra a decisão

O advogado de defesa, Sérgio Giolo, afirmou que irá recorrer da condenação. Segundo ele, a defesa ainda analisa medidas em instâncias superiores e considera prematuro discutir o mérito do processo enquanto existem recursos pendentes.

Além disso, o juízo rejeitou alegações relacionadas à incapacidade mental da ré. O laudo pericial indicou plena capacidade de entendimento e planejamento, fator que reforçou a responsabilização penal no processo.

Histórico inclui desvio de recursos da formatura de Medicina

O caso da lotérica se soma a outra condenação já registrada contra a ex-aluna. Em 2024, a Justiça a condenou pelo desvio de aproximadamente R$ 927 mil do fundo de formatura da turma de Medicina da USP, após denúncia formalizada em 2023 por colegas.

As investigações identificaram transferências feitas entre 2021 e 2022 para contas pessoais. Conforme os registros, os valores financiaram despesas particulares, como aluguel, eletrônicos, veículos e outros gastos pessoais.

Mesmo com as condenações, Alicia concluiu a graduação e obteve registro no Conselho Federal de Medicina (CFM) em dezembro de 2024. A legislação brasileira permite que condenados estudem, se formem e exerçam atividade profissional, desde que cumpram as determinações judiciais.

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Gabriel Yure

Gabriel Yuri Souto

Redator e gestor de tráfego. Especialista em SEO.

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