Buscava água, achou fortuna: o agricultor que fez dívida de R$ 15 mil e acabou encontrando ‘ouro negro’ no quintal
Uma perfuração simples no solo acabou mudando completamente os planos de uma família

O que começou como uma tentativa de garantir abastecimento de água terminou como um possível caso de descoberta de petróleo no interior do Ceará.
O agricultor Sidrônio Moreira, morador da zona rural de Tabuleiro do Norte, contraiu um empréstimo de R$ 15 mil para perfurar um poço artesiano em sua propriedade.
A família vive na localidade de Sítio Santo Estevão e depende frequentemente de carro-pipa para suprir a falta de água encanada. O objetivo era simples: garantir autonomia hídrica.
Em novembro de 2024, após a contratação do serviço, a perfuração alcançou cerca de 40 metros de profundidade. Por volta dos 30 metros, um líquido escuro começou a emergir.
Inicialmente comemorado como sinal de água, o material revelou-se diferente do esperado. Dias depois, ao retornar ao local, a família encontrou uma substância viscosa, de coloração escura e odor semelhante ao de óleo automotivo.
A frustração pela ausência de água deu lugar à suspeita de algo maior. Diante da incerteza, o filho de Sidrônio procurou apoio técnico no campus local do Instituto Federal do Ceará.

A amostra foi encaminhada para análise no Núcleo de Pesquisa em Baixo Carbono da Universidade Federal Rural do Semi-Árido, em Mossoró (RN). Testes físico-químicos indicaram que o líquido apresenta características compatíveis com hidrocarbonetos semelhantes aos encontrados em jazidas da região vizinha, na Bacia Potiguar.
A área onde o material foi localizado fica a aproximadamente 11 quilômetros do bloco de exploração mais próximo, embora o município não esteja formalmente inserido em área concedida para exploração.
Após os resultados preliminares, a família e o instituto comunicaram o caso à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, responsável por regulamentar e fiscalizar atividades do setor.
Em fevereiro deste ano, a agência confirmou que recebeu a notificação e informou que abrirá investigação, além de acionar o órgão ambiental competente.
Apesar das análises apontarem compatibilidade com petróleo, especialistas ressaltam que apenas um laboratório credenciado pela ANP poderá confirmar oficialmente a natureza da substância.
Mesmo que se trate de hidrocarboneto, ainda não há qualquer comprovação sobre volume, qualidade ou viabilidade econômica de exploração.
Para Sidrônio, a dívida contraída para buscar água ainda precisa ser paga. Mas, sob o solo árido do quintal, pode estar escondida uma descoberta capaz de transformar completamente o destino da propriedade e talvez da região.
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