Segundo a psicologia, crianças criadas nos anos 60 e 70 se tornaram uma das gerações mais fortes emocionalmente

Forma como muitas crianças foram criadas nas décadas de 60 e 70 pode ter contribuído para desenvolver mais autonomia e resistência emocional ao longo da vida

Layne Brito -
uma das gerações mais fortes emocionalmente
(Imagem: Ilustração/IA)

Quem cresceu nos anos 1960 e 1970 costuma lembrar de uma infância com mais rua, mais brincadeira livre e menos presença adulta em cada detalhe. Para a psicologia, esse cenário pode ter contribuído para formar uma geração com mais tolerância à frustração e maior capacidade de se adaptar a dificuldades, porque a vida exigia pequenas decisões e soluções o tempo todo.

Em vez de receber respostas prontas, muitas crianças aprendiam na prática. Perder um jogo e continuar brincando, discutir com amigos e resolver sem um “juiz”, lidar com o “não” sem negociações longas e esperar a hora certa para conseguir algo eram situações comuns.

Esse tipo de experiência repetida, em doses compatíveis com a idade, tende a fortalecer habilidades como autocontrole, paciência e resiliência a capacidade de cair e voltar ao eixo.

Isso não significa que tudo no passado era melhor, nem que falta de cuidado seja positiva.

Existe diferença entre dar autonomia e abandonar. Autonomia é permitir que a criança enfrente desafios seguros, com limites claros e um adulto disponível quando realmente precisa.

Abandono é deixar sem proteção, sem afeto e sem orientação.

A “força emocional” que a psicologia valoriza geralmente nasce do equilíbrio: liberdade para tentar, espaço para errar e apoio quando a situação ultrapassa o que a criança consegue administrar sozinha.

Com o tempo, a infância mudou. A rotina ficou mais supervisionada, as telas ganharam espaço e o impulso de “resolver rápido” aumentou.

Em muitos casos, isso reduz oportunidades de treinar frustração, espera e solução de problemas.

Ainda assim, dá para trazer lições daquele período para hoje: deixar a criança tentar antes de intervir, dar responsabilidades pequenas e permitir que ela aprenda a lidar com consequências simples.

No fim, a geração dos anos 60 e 70 pode ter sido considerada mais forte emocionalmente não por ter vivido sem amor ou cuidado, mas porque teve mais chances de desenvolver autonomia no cotidiano.

E esse tipo de aprendizado, quando é seguro e bem orientado, costuma acompanhar a pessoa para o resto da vida.

Siga o Portal 6 no Google News e fique por dentro de tudo!

Layne Brito

Estudante de jornalismo na Universidade Evangélica de Goiás (UniEVANGÉLICA) e engenheira agrônoma, curiosa e sempre em busca de aprender, observar e contar histórias.

Você tem WhatsApp ou Telegram? É só entrar em um dos grupos do Portal 6 para receber, em primeira mão, nossas principais notícias e reportagens. Basta clicar aqui e escolher.

+ Notícias

Nós usamos cookies e outras tecnologias semelhantes para melhorar a sua experiência em nossos serviços, personalizar publicidade e recomendar conteúdo de seu interesse. Para mais informações, incluindo como configurar as permissões dos cookies, consulte a nossa nova Política de Privacidade.