Após fratura grave ainda bebê, menina dá os primeiros passos e emociona equipe de creche em Nerópolis

Acidente enquanto estava com a babá causou uma profunda lesão que quase custou a vida da garota

Davi Galvão Davi Galvão -
Primeiros passos de Yasmin foram gravados pela equipe do CMEI. (Foto: Arquivo Pessoal/Aline Leite)
Primeiros passos de Yasmin foram gravados pela equipe do CMEI. (Foto: Arquivo Pessoal/Aline Leite)

Para quem é mãe, não há alegria maior logo no começo do desenvolvimento do filho do que ver o pequeno ser, gestado e criado com tanto amor, dando os primeiros passos. Poucos são os que tem a sorte de não apenas testemunharem mas ainda por cima gravarem um momento tão único.

Mas foi exatamente o que aconteceu com a pequena Yasmin, de quase três anos, que deu um verdadeiro show ao caminhar no Cmei Professora Elza Cerri, em Nerópolis, acompanhada pela torcida das professoras e cuidadoras, ainda no começo de março.

Porém, quem vê os passinhos tímidos e levemente desengonçados da garota, acompanhados de um sorriso travesso, mal podem imaginar a tragédia por trás que quase custou a vida da criança.

A lesão

Quem conta um pouco mais da história de luta e superação de Yasmin é a própria mãe da pequena, Aline Leite Silva, que em entrevista ao Portal 6 relembrou como um incidente com uma antiga babá, que até hoje segue sem solução, mudou para sempre a vida da filha.

“Em 2024, eu levei a Yasmin pra babá, cedinho. Quando fui buscar, a babá veio correndo me encontrar, ficou me olhando, parecendo que ia me contar alguma coisa, mas mudou de ideia. Depois ela disse que a neném tinha chorado 30 minutos sem parar, mas não soube responder o porquê”, contou.

Yasmin quebou o fêmur ainda neném, tonrando os primeiros passos ainda mais impressionantes. (Foto: Arquivo Pessoal/Aline Leite)

Yasmin quebrou o fêmur ainda neném, tornando os primeiros passos ainda mais impressionantes. (Foto: Arquivo Pessoal/Aline Leite)

E assim, seguiram-se horas como a neném sem parar de chorar, com a mãe acreditando se tratar de algum problema intestinal, até que enfim foram procurar assistência médica.

Após uma madrugada inteira no hospital, uma médica notou, ao levantar as pernas da bebê, um enorme desconforto, motivando um segundo raio-x, que evidenciou uma grave fratura no fêmur.

“Nisso todo mundo no hospital me olhando, imaginando alguma situação de maus tratos, porque realmente parecia, natural certo receio. Aí eu perguntei por áudio para a babá se ela tinha caído e depois de uma hora ela começou a me ligar, dizendo que não tinha sido ela, que não tinha nada com isso”, relembrou.

Recuperação e apoio

Ante a gravidade da lesão, Yasmin foi submetida a um procedimento cirúrgico de emergência no Hospital Estadual da Criança e do Adolescente (Hecad) e, após voltar para casa, teve um pós-operatório descrito como tortuoso pela mãe.

“Ela foi perdendo o apetite, só queria água, ficou o coro e osso. Ela gritava de dor, especialmente no banho. Foram uns três meses assim, dia após dia. Dói muito ver um filho assim”, lamentou.

Ao longo de todo esse processo, a pequena continuava sem conseguir andar.

Precisando cuidar dos outros três filhos, Aline teve de abandonar o emprego ao mesmo tempo em que seguia com a fisioterapia.

Para a mãe, o que salvou a filha foi também o apoio incondicional da creche, especialmente na figura das professoras e cuidadoras, que se desdobraram para ajudar Yasmin. Sem isso, jamais seria possível que a pequena desse os tão esperados primeiros passos.

A mãe explicou detalhadamente toda a situação clínica da filha para a equipe, que se mostrou ciente de que ela era uma criança com necessidades específicas devido ao acidente, especialmente por conta da dificuldade de locomoção, sendo inclusive necessário o uso de cadeira de rodas.

“Ela entrou em uma turminha que já foram todos desfraldados, sabendo andar, mas ela não. A lesão atrapalhou até o desenvolvimento dela, pode ver que é a menor dos coleguinhas. Mas as tias não abandonaram ela. E Deus me honrou. Eu tinha muito medo de nunca ver minha menina andando, mas as professoras, toda a equipe de lá, nunca desistiram, até que ela desse os primeiros passos”, comentou.

Yasmin segue ativa nas sessões de fisioterapia. (Foto: Arquivo Pessoal/Aline Leite)

Yasmin segue ativa nas sessões de fisioterapia. (Foto: Arquivo Pessoal/Aline Leite)

Aline também agradeceu todo o apoio da equipe de fisioterapia de Nerópolis, além de todos os funcionários do Hecad e disse acreditar que, com tamanha rede de apoio, Yasmin tenha uma infância “normal”.

Siga o Portal 6 no Instagram: @portal6noticias e fique por dentro das últimas notícias de Goiás!

Davi Galvão

Davi Galvão

Jornalista formado pela Universidade Federal de Goiás. Atua como repórter no Portal 6, com base em Anápolis, mas atento aos principais acontecimentos do cotidiano em todo o estado de Goiás. Produz reportagens que informam, orientam e traduzem os fatos que impactam diretamente a vida da população.

Você tem WhatsApp ou Telegram? É só entrar em um dos grupos do Portal 6 para receber, em primeira mão, nossas principais notícias e reportagens. Basta clicar aqui e escolher.

+ Notícias

Nós usamos cookies e outras tecnologias semelhantes para melhorar a sua experiência em nossos serviços, personalizar publicidade e recomendar conteúdo de seu interesse. Para mais informações, incluindo como configurar as permissões dos cookies, consulte a nossa nova Política de Privacidade.