Avós não querem mais ser exploradas: ajudar os netos é diferente de assumir o papel dos pais

Debate cresce na Europa sobre a sobrecarga de avós no cuidado diário dos netos e a necessidade de limites claros

Gustavo de Souza -
Avós não querem mais ser exploradas: ajudar os netos é diferente de assumir o papel dos pais
(Imagem: Ilustração/Arquivo/Agência Brasil)

Cenas de avós acompanhando os netos em parques ou saindo da escola são comuns em muitas cidades europeias. O que antes simbolizava apenas convivência familiar agora também levanta um debate crescente: até que ponto ajudar na criação das crianças deixa de ser apoio e passa a ser responsabilidade permanente?

Na Espanha, relatos de idosos que decidiram impor limites têm ganhado espaço no debate público. Muitos afirmam que a aposentadoria, imaginada como fase de liberdade, acabou sendo preenchida por uma rotina intensa de cuidados com os netos.

Quando ajudar vira obrigação

A espanhola Cayetana Campo, de 71 anos, contou à BBC Mundo que decidiu estabelecer limites após perceber que o cuidado com os netos estava se tornando constante. Para ela, ajudar em situações pontuais é natural, mas assumir o papel de cuidadora principal ultrapassa o que considera justo.

“Tenho quatro filhos, e se faço com um, tenho que fazer com todos”, disse. “Agora que me aposentei, quero tempo para mim.”

A sobrecarga invisível

Especialistas alertam que o cuidado frequente pode gerar desgaste emocional e físico. A Sociedade Espanhola de Geriatria e Gerontologia (SEGG) recomenda cautela para evitar a sobrecarga de avós que acabam assumindo tarefas equivalentes a uma jornada de trabalho.

Estudos com dados do projeto europeu SHARE indicam que cerca de um quarto dos avós participa regularmente do cuidado dos netos, embora a intensidade varie entre os países.

Uma sociedade que envelhece

Nos países do sul da Europa, onde a rede familiar costuma ter papel central, avós frequentemente ajudam a conciliar trabalho e rotina das crianças. Ao mesmo tempo, especialistas defendem que impor limites não é egoísmo, mas parte de um envelhecimento saudável.

Com pessoas acima de 65 anos representando cerca de 22% da população da União Europeia, segundo o Eurostat, o debate tende a ganhar ainda mais força nos próximos anos.

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Gustavo de Souza

Estudante de jornalismo na Universidade Federal de Goiás (UFG) e repórter do Portal 6.

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