Saiba o que aconteceu com Devair, dono de ferro-velho após a tragédia do Césio-137 em Goiânia

Personagem central enfrentou perdas, culpa e consequências irreversíveis após contaminação

Pedro Pedro Ribeiro -
Saiba o que aconteceu com Devair, dono de ferro-velho após a tragédia do Césio-137 em Goiânia
Dono do ferro-velho onde cápsula com Césio 137 foi aberta, Devair Alves Ferreira. (Foto: Reprodução)

O lançamento da minissérie “Emergência Radioativa”, da Netflix, reacendeu o interesse por um dos episódios mais marcantes da história brasileira: o acidente com o Césio-137, ocorrido em Goiânia, em 1987.

Entre os nomes mais lembrados está Devair Alves Ferreira, dono de um ferro-velho que acabou se tornando peça central na tragédia.

Na época, ele adquiriu uma peça retirada de uma clínica de radioterapia abandonada.

Sem saber dos riscos, decidiu abrir o equipamento, que continha uma cápsula com material altamente radioativo.

A partir daí, teve início uma cadeia de contaminação que atingiu familiares, amigos e funcionários.

Entre as vítimas diretas estavam pessoas próximas a Devair, como a esposa, Maria Gabriela Ferreira, que teve papel fundamental ao desconfiar do material e levá-lo às autoridades, mas acabou não resistindo aos efeitos da radiação.

Também morreram Leide das Neves Ferreira, sobrinha de Devair, de apenas 6 anos, além dos funcionários Israel Batista dos Santos e Admilson Alves de Souza.

O acidente é considerado o maior desastre radiológico do Brasil. Ao todo, centenas de pessoas foram contaminadas e milhares passaram por triagem na época.

Devair sobreviveu aos efeitos iniciais da radiação, mas passou a enfrentar graves consequências ao longo dos anos.

Ele desenvolveu depressão e conviveu com um intenso sentimento de culpa diante das proporções do caso.

Segundo relatos do irmão, Odesson Alves Ferreira, em entrevista à BBC, o laudo após a morte indicava que Devair apresentava câncer em três órgãos, embora oficialmente o óbito tenha sido atribuído à cirrose hepática.

Com o passar do tempo, ele mergulhou no alcoolismo e teve a saúde progressivamente agravada. Sete anos após o acidente, morreu aos 43 anos.

Décadas depois, o episódio continua vivo na memória coletiva e ainda impacta vítimas e familiares, que seguem em acompanhamento médico, evidenciando as consequências duradouras da tragédia.

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Pedro

Pedro Ribeiro

Jornalista formado pela Universidade Federal de Goiás. Colabora com o Portal 6 desde 2022, atuando principalmente nas editorias de Comportamento, Utilidade Pública e temas que dialogam diretamente com o cotidiano da população.

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