Reservatório de água doce sob o fundo do mar, formado há cerca de 20 mil anos, pode abastecer megacidade por mais de 800 anos e tem centenas de quilômetros

Cientistas identificam uma reserva colossal que pode transformar completamente o futuro das gerações

Magno Oliver Magno Oliver -
Reservatório de água doce sob o fundo do mar, formado há cerca de 20 mil anos, pode abastecer megacidade por mais de 800 anos e tem centenas de quilômetros
(Foto: Captura de tela / Youtube / Canal Maurício Landwoigt Oliveira)

Uma descoberta geológica sem precedentes acaba de ser detalhada pela Expedição 501, liderada por pesquisadores da Universidade de Columbia em parceria com o Instituto Oceanográfico de Woods Hole.

Cientistas identificaram um gigantesco aquífero de água de baixa salinidade escondido sob o Oceano Atlântico, na costa leste dos Estados Unidos.

Estendendo-se por cerca de 350 quilômetros, desde o estado de Nova Jersey até Massachusetts, a reserva está aprisionada em sedimentos porosos abaixo da plataforma continental.

Formado há aproximadamente 20 mil anos, durante o último máximo glacial, quando o nível do mar era muito mais baixo e o gelo derretido infiltrava-se no solo, o reservatório foi preservado por camadas de argila que impediram a contaminação pela água salgada ao longo dos milênios.

O volume estimado desse depósito hídrico é estarrecedor: análises preliminares sugerem que a reserva possui capacidade suficiente para suprir as necessidades de uma metrópole com o porte de Nova York por mais de oito séculos.

A tecnologia utilizada para o mapeamento envolveu o uso de receptores eletromagnéticos, que medem a condutividade no subsolo marinho, uma vez que a água doce é menos condutora que a salgada.

A Expedição 501 confirmou que o aquífero não é composto por bolsões isolados, mas sim por uma estrutura contínua e massiva.

Fontes oficiais do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) reforçam que essa descoberta pode ser apenas a ponta do iceberg, indicando que formações semelhantes podem existir em outras plataformas continentais ao redor do globo.

A viabilidade de extração deste recurso surge como uma atualização estratégica crucial em um cenário de crise hídrica global e mudanças climáticas.

Embora a água não seja totalmente destilada, sua baixa salinidade permitiria uma dessalinização muito mais barata e eficiente do que a realizada com água do mar comum.

O desfecho desta investigação coloca a Expedição 501 no centro das discussões sobre segurança hídrica para o próximo século, sugerindo que reservatórios submarinos podem se tornar a principal “apólice de seguro” contra a seca para megacidades litorâneas.

O próximo passo das autoridades americanas envolve a criação de protocolos de preservação ambiental para garantir que qualquer futura intervenção não comprometa a estabilidade geológica da costa.

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Magno Oliver

Magno Oliver

Jornalista formado pela Universidade Federal de Goiás. Escreve para o Portal 6 desde julho de 2023.

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