Menino de 8 anos encontra fragmento de estatueta de 1.700 anos que pode ser do deus Júpiter durante excursão escolar

Achado no deserto do Negev intriga arqueólogos ao aproximar descoberta de criança a rotas antigas de comércio e presença romana na região

Gustavo de Souza -
Menino de 8 anos encontra fragmento de estatueta de 1.700 anos que pode ser do deus Júpiter durante excursão escolar
(Imagem: Captura de Tela/YouTube – Israel Antiquities Authority Official Channel)

Um pequeno fragmento de pedra, encontrada por acaso durante uma atividade escolar, revelou um pedaço raro da Antiguidade no deserto do Negev, em Israel.

O responsável pela descoberta foi Dor Wolynitz, um menino de 8 anos, morador de Rehovot. Ele participava de uma exclusão de fim de semana quando percebeu, no chão, um objeto com marcas diferentes das de uma pedra comum.

Segundo a Autoridade de Antiguidades de Israel, a peça mede cerca de 6 por 6 centímetros e pode ter aproximadamente 1.700 anos. O artefato preserva parte do torso de uma figura masculina, parcialmente coberta por um tecido.

Achado chamou atenção

A princípio, o objeto chegou a ser tratado como possível fóssil. A avaliação mudou quando especialistas identificaram dobras esculpidas com precisão, semelhantes às de uma roupa.

A figura aparece usando um manto pesado, conhecido como himátion. Por causa do estilo de vestimenta, os pesquisadores estimam que a estatueta pertença ao período romano.

Fragmento encontrado por Dor Wolynitz no Deserto do Negev (Foto: Emil Aladjem/Autoridade de Antiguidades de Israel)

Fragmento encontrado por Dor Wolynitz no Deserto do Negev (Foto: Emil Aladjem/Autoridade de Antiguidades de Israel)

O geólogo Nimrod Wieler analisou a composição da peça e identificou fosforita, um mineral leve encontrado com frequência no Negev. Isso indica que o objeto provavelmente foi reduzido na própria região.

Rota das especiarias

O local da descoberta também reforça a relevância histórica do achado. O fragmento apareceu perto de Khan Saharonim, antiga hospedaria usada por viajantes da rota internacional das especiarias.

A região teve forte presença nabateia entre o século III a.C. e o século II d.C. Esse povo atuava no comércio em áreas que hoje incluem Israel, Jordânia, Sinai e Arábia Saudita.

Ainda não há confirmação sobre a identidade da figura. Para os especialistas, ela pode representar Júpiter, deus romano, ou Zeus-Dushara, divindade nabateia associada à tradição helenística-romana.

A Autoridade de Antiguidades de Israel destacou que objetos antigos encontrados no país devem ser entregues ao órgão, a fim de estudos, preservação e incorporação ao acervo nacional.

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Gustavo de Souza

Estudante de jornalismo na Universidade Federal de Goiás (UFG) e repórter do Portal 6.

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