Cliente deixa o carro na oficina para trocar a embreagem por R$ 1.900 e, ao buscar, encontra 1.200 km a mais no painel do que quando deixou

O Código Civil proíbe quem guarda o bem de outra pessoa de usá-lo sem autorização, e a oficina pode ter de pagar pelo desgaste, pelo combustível e por eventuais multas

carro na oficina
Consumidor relata ter encontrado 1.200 quilômetros adicionais no veículo após serviço de troca de embreagem. (Imagem: Ilustração)

Rodrigo deixou o carro na oficina numa quinta-feira para trocar a embreagem. O orçamento ficou em R$ 1.900 e o prazo era de dois dias, mas a entrega atrasou: a oficina alegou que a peça demorou a chegar. Antes de sair, por hábito, ele tinha tirado uma foto do painel.

Na terça-feira, ao ligar o carro, estranhou o tanque na reserva, quando tinha deixado pela metade. Comparou o hodômetro com a foto: eram 1.200 quilômetros a mais. O extrato da tag de pedágio mostrava passagens por uma rodovia no fim de semana, e o atendente disse apenas que tinha sido um teste de rodagem.

A dúvida de quem passa por isso é a mesma: a oficina pode usar o carro do cliente, e o que dá para cobrar?

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A oficina pode usar o carro do cliente?

Não, a não ser no que o serviço exige. Depois de trocar a embreagem, é comum o mecânico dar uma volta curta para testar a peça, mas isso não explica 1.200 quilômetros rodados num fim de semana.

O artigo 640 do Código Civil diz que quem guarda um bem de outra pessoa não pode usá-lo sem autorização expressa do dono, sob pena de responder por perdas e danos. Além disso, o Código de Defesa do Consumidor, no artigo 14, faz a oficina responder pelos danos causados na prestação do serviço, mesmo sem prova de culpa.

Conferir o hodômetro ao retirar o veículo da oficina pode ajudar a identificar quilometragem adicional e possíveis usos não autorizados. (Imagem: Ilustração)

Conferir o hodômetro ao retirar o veículo da oficina pode ajudar a identificar quilometragem adicional e possíveis usos não autorizados. (Imagem: Ilustração)

Como provar que o carro rodou?

No caso de Rodrigo, a foto do painel na entrega fez toda a diferença. Outras provas ajudam a fechar a conta:

•⁠ ⁠quilometragem anotada na ordem de serviço;
•⁠ ⁠extrato da tag de pedágio ou do estacionamento;
•⁠ ⁠histórico do rastreador ou do aplicativo do carro;
•⁠ ⁠multas de trânsito registradas no período em que o carro estava na oficina.

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O que o cliente pode cobrar?

O combustível gasto, o desgaste de pneus e óleo proporcional aos quilômetros rodados e eventuais multas do período. Se o uso indevido causar outro prejuízo, como um dano na peça recém-trocada, ele também entra na conta. A indenização por dano moral depende de cada caso e é decidida pelo juiz.

Se chegar uma multa de algo que aconteceu enquanto o carro estava na oficina, o dono pode recorrer usando a ordem de serviço e as fotos como prova de que não era ele ao volante.

O que fazer na hora de buscar o carro?

1.⁠ ⁠Fotografe o painel com a quilometragem e o combustível antes de sair da oficina.
2.⁠ ⁠Peça que a quilometragem encontrada seja anotada na ordem de serviço.
3.⁠ ⁠Solicite uma explicação por escrito, por e-mail ou mensagem.
4.⁠ ⁠Sem acordo, registre reclamação no Procon ou no site consumidor.gov.br.
5.⁠ ⁠Se o problema continuar, o Juizado Especial Cível recebe causas de até 20 salários mínimos sem necessidade de advogado.

Antes de deixar o carro em qualquer oficina, vale fazer o que Rodrigo fez: uma foto do painel com a quilometragem e o nível do tanque.

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Gabriel Yuri Souto

Gabriel Yuri Souto

Formado em Marketing, é especialista em SEO e estratégias de crescimento de audiência. Atua na produção de conteúdo digital, com foco em posicionamento nos mecanismos de busca, análise de desempenho e desenvolvimento de pautas orientadas por dados.