Reservatório subterrâneo supera o Aquífero Guarani e se torna o maior do mundo, com capacidade de abastecer a população mundial por 250 anos

O que antes era uma suspeita acadêmica agora é uma certeza que altera o mapa da riqueza natural do planeta

Pedro Ribeiro Pedro Ribeiro -
Reservatório subterrâneo supera o Aquífero Guarani e se torna o maior do mundo, com capacidade de abastecer a população mundial por 250 anos
(Foto: Captura de Tela/YouTube)

Enquanto os olhos do mundo se voltam para a copa das árvores e para a biodiversidade vibrante da Floresta Amazônica, um oceano invisível repousa em silêncio sob as raízes. O que antes era uma suspeita acadêmica agora é uma certeza que altera o mapa da riqueza natural do planeta: o Sistema Aquífero Grande Amazônia (SAGA) não é apenas uma reserva local, mas o maior reservatório de água doce do mundo, superando com folga o icônico Aquífero Guarani em volume e relevância estratégica.

O Gigante Adormecido

Os números do SAGA desafiam a compreensão convencional. Identificado por pesquisadores da Universidade Federal do Pará (UFPA), esse reservatório subterrâneo abriga impressionantes 150 quatrilhões de litros de água. Para se ter uma ideia da magnitude, esse volume seria capaz de saciar a sede de toda a humanidade pelas próximas duas décadas e meia.

Com uma extensão de 1,2 milhão de quilômetros quadrados — sendo 75% deste território pertencente ao Brasil —, o aquífero deixa de ser um detalhe geológico para se tornar um ativo geopolítico de valor incalculável.

A Engrenagem que Alimenta o Continente

A descoberta do SAGA completa o quebra-cabeça do ciclo hidrológico sul-americano. Ele não existe no vácuo; ele é o alicerce que sustenta os famosos “rios voadores”.

A Conexão: Através da transpiração da floresta, o sistema bombeia cerca de oito quatrilhões de litros de água anualmente para a atmosfera.

O Impacto: Essa umidade viaja pelo continente, garantindo as chuvas que irrigam o agronegócio e enchem os reservatórios das regiões Sudeste e Centro-Oeste.

Sem o equilíbrio hídrico mantido pelo SAGA, a estabilidade climática de boa parte da América Latina estaria seriamente comprometida.

O Desafio da Preservação

Apesar de sua escala colossal, o SAGA carrega uma vulnerabilidade inerente. A lição vem do seu “irmão menor”, o Aquífero Guarani, que já dá sinais de desgaste por exploração descontrolada e riscos de contaminação.

Especialistas alertam que o manejo dessa nova fronteira hídrica exige uma governança rigorosa. O desmatamento da superfície não afeta apenas a fauna e a flora; ele interrompe o processo de recarga das águas subterrâneas. Tratar o SAGA como um recurso infinito seria um erro histórico; tratá-lo como um patrimônio estratégico é a única via para garantir que essa abundância chegue às próximas gerações.

Siga o Portal 6 no Google News fique por dentro de tudo!

Pedro Ribeiro

Pedro Ribeiro

Jornalista formado pela Universidade Federal de Goiás. Colabora com o Portal 6 desde 2022, atuando principalmente nas editorias de Comportamento, Utilidade Pública e temas que dialogam diretamente com o cotidiano da população.

Você tem WhatsApp ou Telegram? É só entrar em um dos grupos do Portal 6 para receber, em primeira mão, nossas principais notícias e reportagens. Basta clicar aqui e escolher.

+ Notícias