Sem salário, motoristas da Rápido Araguaia organizam protesto e podem parar em Goiânia

Ato está previsto para ocorrer no Terminal Padre Pelágio, e ocorre após atraso no pagamento de dezembro, que já motivou ação judicial

Augusto Araújo Augusto Araújo -
Ônibus de transporte coletivo da empresa Rápido Araguaia. (Foto: Divulgação)
Ônibus de transporte coletivo da empresa Rápido Araguaia. (Foto: Divulgação)

*Matéria atualizada às 13h34 do dia 11/01

Motoristas da Rápido Araguaia, empresa que compõe o consórcio responsável pelo transporte coletivo da Região Metropolitana de Goiânia, estão se organizando para realizar um protesto na capital, diante da falta de pagamento do mês de dezembro.

Conforme apurado pelo Portal 6, a empresa tinha até o dia 07 de janeiro para depositar o salário dos trabalhadores.

No entanto, a determinação não foi cumprida pela Rápido Araguaia, que se justificou em uma nota aos funcionários, alegando que o fluxo de caixa da empresa foi impactado por causa de atrasos nos repasses das tarifas técnicas pelos
municípios de Goiânia, Aparecida de Goiânia, Trindade e Goianira.

“O recurso parcial recebido das Prefeituras de Goiânia e Aparecida de Goiânia foram destinados à quitação do
13° Salário e Crédito Natalino, não havendo novos aportes suficientes até o momento para cobrir completamente a folha salarial de hoje”, destacou o informe.

Por fim, o documento salientou que a Rápido Araguaia estava cobrando urgência das prefeituras, de modo que “assim que os recursos entrarem, o repasse para a conta dos colaboradores será imediato”.

Diante desse cenário, a reportagem entrou em contato com uma fonte ligada ao Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Coletivos Urbanos de Passageiros do Estado de Goiás (Sindcoletivo), que confirmou o protesto dos motoristas nesta segunda-feira (12), na garagem da empresa localizada no Terminal Padre Pelágio.

“O salário já está atrasado e todo mundo revoltado por não receber o salário e não tem nem previsão de recebimento”, apontou.

Além disso, a fonte salientou que o sindicato também estará presente no terminal, para acompanhar a movimentação e apoiar os trabalhadores.

Cobranças

O Sindcoletivo, que representa a categoria, também confirmou o atraso e, conforme apurado pelo Portal 6, já entrou com uma ação na Justiça para que a empresa efetue o pagamento dos salários o quanto antes.

Assim, uma decisão judicial promulgada na última sexta-feira (09), deu um prazo de 48h, para que a Rápido Araguaia faça o depósito na conta dos funcionários, que vence na segunda-feira (12).

Diante desse cenário, existe a expectativa de que o protesto possa culminar em paralisação dos motoristas dos transportes coletivos.

Contudo, a fonte ligada ao Sindcoletivo não confirmou se isso deve realmente acontecer e que o sindicato está adotando muita cautela para a tomada de qualquer decisão.

Posicionamento

Em nota à imprensa, a Prefeitura de Aparecida de Goiânia informou que os repasses do subsídio ao transporte coletivo estão em dia e que, somente em 2025, já foram pagos mais de R$ 50 milhões para manter a tarifa em R$ 4,30 e viabilizar a renovação da frota.

O município destacou ainda que o pagamento de salários é de responsabilidade das empresas operadoras e que não cabe ao poder público responder por falhas na administração da Rápido Araguaia.

Por sua vez, a Prefeitura de Trindade informou que já repassou R$ 1,5 milhão ao subsídio do transporte coletivo desde outubro de 2025.

Além disso, salientou que negocia junto ao governo estadual e à Rede Metropolitana de Transporte Coletivo (RMTC), alternativas para ampliar os valores a partir de março, incluindo emendas parlamentares.

Ao Portal 6, a Rápido Araguaia enviou um posicionamento por meio da seguinte nota:

“A Rápido Araguaia tem conhecimento de mensagens sem assinatura circulando em redes sociais, sobre paralisação nas operações nesta segunda 12/01. A empresa esclarece que mantém diálogo aberto com o Sindicato da categoria, com reunião agendada para esta segunda-feira (12), visando a solução dos pagamentos pendentes e que o Sindicato não sinalizou sobre paralisações.

As negociações entre a CMTC e a Prefeitura de Goiânia avançaram significativamente e a expectativa é de regularização do repasse neste início de semana, e seguimos na expectativa que Aparecida de Goiânia, Trindade e Goianira também regularizem os repasses atrasados. A empresa conta com o apoio dos colaboradores para não prejudicar a população com paralisações que não possuem aval da entidade sindical oficial.”

Por fim, a reportagem entrou em contato com a Prefeitura de Goiânia, mas não houve retorno até o fechamento da matéria. O espaço segue aberto para manifestações.

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Augusto Araújo

Augusto Araújo

Jornalista formado pela Universidade Federal de Goiás, é editor do Portal 6. Já atuou em veículos como o Jornal Opção e tem experiência em assessoria de comunicação. Apaixonado por esportes, preza pela apuração rigorosa, pela clareza na informação e pelo compromisso com o interesse público.

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