Doce de leite mineiro eleito o melhor do Brasil foi criado em laboratório na década de 1980
Produto que virou referência nacional nasceu dentro de uma universidade, ganhou prêmios ao longo dos anos e se tornou patrimônio cultural de Minas Gerais

Pouca gente imagina, mas um dos doces de leite mais premiados do Brasil não surgiu em uma fazenda tradicional. A origem está dentro de um laboratório universitário, em Minas Gerais, ainda na década de 1980.
O doce de leite Viçosa começou a ser desenvolvido na Universidade Federal de Viçosa (UFV), durante atividades práticas do curso de Tecnologia de Alimentos. Na época, professores e alunos buscavam aplicar na prática estudos sobre qualidade, textura e sabor de derivados do leite.
A produção inicial tinha caráter experimental e acadêmico, mas os resultados chamaram atenção rapidamente. O equilíbrio entre doçura, cremosidade e cor diferenciava o produto de outros doces de leite disponíveis no mercado.
Em 1988, a universidade decidiu levar a receita adiante e iniciar a produção em maior escala, mantendo os mesmos padrões técnicos usados no laboratório. Desde então, o processo segue rigorosamente controlado, com foco na qualidade do leite e no tempo correto de cocção.
Com o passar dos anos, o doce de leite Viçosa começou a se destacar em concursos nacionais. Em diferentes edições do Concurso Nacional de Produtos Lácteos, o produto foi eleito o melhor do Brasil diversas vezes, tornando-se o maior vencedor da história da premiação.
O reconhecimento não ficou restrito aos prêmios. O doce ganhou fama entre consumidores e especialistas, passou a ser vendido em vários estados e se tornou símbolo da tradição mineira, mesmo tendo origem científica.
Atualmente, a produção ultrapassa cem mil quilos por mês, com versões tradicionais e variações com coco, café e cacau. O crescimento levou, inclusive, ao início da exportação para outros países, ampliando a presença do produto fora do Brasil.
Em 2022, o processo de fabricação do doce de leite Viçosa recebeu um novo reconhecimento. O modo de produção foi registrado como Patrimônio Cultural Imaterial de Minas Gerais, reforçando sua importância histórica, cultural e gastronômica.

(Foto: Reprodução)
Siga o Portal 6 no Google News e fique por dentro de tudo!






