Escassez de mão de obra aumenta salários: Ford contrata mecânico com salário de R$ 860 mil por ano para trocar câmbios

Escassez de profissionais qualificados no setor automotivo eleva remunerações e revela dificuldades da Ford em preencher vagas técnicas nos Estados Unidos

Pedro Ribeiro Pedro Ribeiro -
Escassez de mão de obra aumenta salários: Ford contrata mecânico com salário de R$ 860 mil por ano para trocar câmbios
(Foto: DIvulgação)

A falta de mão de obra qualificada no setor automotivo está obrigando a Ford Motor Company a pagar salários muito acima da média para técnicos especializados em transmissões.

Em alguns casos, esses profissionais chegam a receber R$ 860 mil por ano, o equivalente a cerca de US$ 160 mil, apenas para realizar trocas de câmbio em tempo recorde.

De acordo com o The Wall Street Journal, concessionárias da montadora enfrentam uma das maiores crises de contratação da última década, com escassez de profissionais capazes de lidar com sistemas mecânicos e eletrônicos cada vez mais complexos.

A dificuldade de atrair trabalhadores técnicos tem levado a Ford a oferecer pacotes salariais milionários para manter os poucos especialistas disponíveis.

Um dos exemplos mais citados é o do técnico Ted Hummel, que atua em Kent, Ohio, e ficou conhecido por substituir transmissões pesadas de até 140 quilos em poucas horas.

O trabalho é remunerado pelo sistema flat rate, em que o mecânico recebe pelo serviço completo e não pelo tempo gasto. Quanto mais rápido o profissional conclui o reparo, maior é o ganho.

A prática tem transformado mecânicos de alto desempenho em verdadeiros fenômenos dentro das concessionárias.

Enquanto o tempo padrão para uma troca de câmbio é estimado em 15 horas, Hummel realiza o serviço em menos de cinco, acumulando rendimento muito superior ao de colegas com desempenho médio.

Mesmo com salários elevados, a Ford ainda enfrenta um déficit estimado em 5 mil técnicos especializados, segundo o CEO Jim Farley. Ele reconheceu que a falta de novos profissionais e o desinteresse por carreiras técnicas têm afetado diretamente a operação das oficinas da marca.

A formação de um mecânico qualificado pode levar até cinco anos de treinamento intensivo, o que explica a escassez de candidatos.

Além disso, muitos jovens norte-americanos têm optado por carreiras administrativas ou tecnológicas, reduzindo ainda mais a oferta de trabalhadores em funções práticas como a manutenção automotiva.

Salários médios no setor

Dados de plataformas como SalaryExpert e Indeed indicam que o salário médio de um mecânico automotivo nos Estados Unidos gira em torno de US$ 50 mil a US$ 60 mil por ano, cerca de R$ 300 mil.

Já os profissionais que atuam sob o modelo flat rate e atingem alta produtividade podem dobrar ou até triplicar esse valor, especialmente em concessionárias com grande demanda de veículos.

O contraste mostra o impacto direto da escassez de mão de obra: com menos pessoas aptas a executar tarefas complexas, as profissões técnicas ganham valorização e transformam especialistas em câmbios e motores em profissionais disputados como executivos.

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Pedro Ribeiro

Pedro Ribeiro

Jornalista formado pela Universidade Federal de Goiás. Colabora com o Portal 6 desde 2022, atuando principalmente nas editorias de Comportamento, Utilidade Pública e temas que dialogam diretamente com o cotidiano da população.

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