Supermercados em crise: salário de R$ 2 mil reais e escala 6×1 já não conseguem atrair candidatos e deixam vagas ociosas
Mesmo com milhares de oportunidades abertas, redes enfrentam dificuldade para contratar e veem a escala 6x1 virar um dos principais motivos de rejeição entre candidatos

Supermercados de várias regiões do Brasil enfrentam um problema que vem crescendo nos últimos meses. As vagas estão abertas, mas os candidatos não aparecem no ritmo esperado.
Mesmo com salários em torno de R$ 2 mil, muitas oportunidades seguem ociosas. Isso acontece porque, para parte dos trabalhadores, o modelo de jornada pesa mais do que o valor no fim do mês.
Além disso, a escala 6×1, comum no varejo, se tornou um dos principais pontos de rejeição. Na prática, muita gente avalia que uma folga por semana já não compensa o desgaste da rotina.
O cenário já foi reconhecido por representantes do setor. O vice-presidente da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), Marcio Milan, citou a existência de cerca de 357 mil vagas abertas no país.
Enquanto isso, em São Paulo, a situação também chama atenção. A Associação Paulista de Supermercados (APAS) apontou cerca de 35 mil vagas disponíveis no estado.
Em geral, a maior parte dessas vagas está em funções operacionais. Entre elas, repositor, operador de caixa, atendente e açougueiro, cargos essenciais para manter a loja funcionando.
Porém, nos bastidores, empresários relatam que o comportamento do trabalhador mudou. Hoje, muitos priorizam jornadas menos cansativas e uma rotina com mais equilíbrio.
Quando a escala 6×1 vira o principal obstáculo
A escala 6×1 sempre foi comum nos supermercados, mas passou a ser questionada com mais força. Em muitos casos, a folga única é vista como insuficiente para descansar.
Além do cansaço físico, existe o impacto no bolso. Gastos com transporte e alimentação acabam reduzindo o salário real, o que desanima ainda mais.
Por isso, algumas redes já começaram a testar mudanças para atrair candidatos. Em alguns locais, empresas estudam modelos como a escala 5×2, com dois dias de descanso.
Ainda assim, o setor segue pressionado por falta de mão de obra. Ao mesmo tempo, as lojas precisam manter atendimento, reposição e operação em dia.
Em resumo, o cenário mostra uma mudança clara no mercado de trabalho. Agora, salário fixo já não é suficiente, e as condições de rotina entraram na conta.
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