Não é folha nem tecido: o que civilizações antigas usavam no lugar do papel higiênico
Muito antes do papel higiênico existir, diferentes povos criaram soluções curiosas e funcionais para a higiene íntima

Muito antes de o papel higiênico se tornar item básico nos banheiros, civilizações antigas usavam alternativas surpreendentes para a higiene íntima.
Cada povo recorria aos recursos disponíveis ao redor, criando métodos que hoje parecem estranhos, mas que funcionavam dentro da realidade da época.
Ao longo da história, água, objetos reutilizáveis e materiais naturais cumpriram o papel que hoje cabe ao papel descartável. Além disso, essas práticas revelam muito sobre hábitos culturais, organização social e até noções de saúde.
O que os romanos usavam nos banheiros públicos
Os romanos ficaram conhecidos pela engenharia avançada, inclusive no saneamento. Nos banheiros públicos, equipados com bancos de mármore e sistemas de esgoto, a higiene acontecia com o tersorium, uma esponja marinha presa a um bastão de madeira.
Após o uso, a esponja era lavada em água corrente ou em uma mistura com vinagre e deixada ali mesmo para o próximo usuário.
Embora hoje isso cause estranhamento, o método fazia sentido em um período em que recursos eram escassos e o reaproveitamento era regra.
Água como solução para povos próximos a rios
Em regiões com rios e córregos abundantes, a água se tornou a principal aliada da higiene. Muitas civilizações utilizavam a mão esquerda com água corrente para a limpeza, costume que permanece em partes da Ásia e do Oriente Médio até hoje.
Por isso, inclusive, a mão esquerda passou a ser vista como impura em várias culturas. Entre os métodos mais comuns estavam:
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jarros com bico longo, semelhantes às duchas higiênicas atuais;
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banheiros suspensos sobre rios, usando a correnteza;
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conchas cheias de água para a limpeza;
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banhos completos após as necessidades, comuns em regiões quentes.
Materiais naturais substituíam o papel
Onde a água era limitada, a criatividade entrava em cena. Folhas grandes e macias eram comuns em áreas de floresta. Já em regiões áridas, as pessoas recorriam a areia limpa, pedras lisas ou musgo seco.
Na Europa medieval, camadas mais pobres usavam palha, feno ou trapos velhos. Enquanto isso, os mais ricos optavam por lã, linho e até restos de tecido fino.
Na América colonial, o sabugo de milho seco se destacou como alternativa prática e bastante utilizada.
Quando algo parecido com papel surgiu
A China saiu na frente mais uma vez. Registros indicam que, já no século VI, a corte imperial chinesa utilizava papel exclusivo para higiene pessoal. No entanto, o material era caro e restrito à nobreza.
Com o tempo, surgiram outras adaptações curiosas:
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folhas de papel perfumadas na dinastia Tang;
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reaproveitamento de jornais e páginas de livros na Europa;
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criação do papel higiênico comercial apenas em 1857, nos Estados Unidos.
Inclusive, os primeiros rolos enfrentaram resistência, pois muita gente considerava o produto caro e desnecessário.
Por que esses métodos funcionavam na época
Apesar do estranhamento atual, essas práticas atendiam perfeitamente às necessidades do período. Produtos descartáveis não existiam, e o desperdício era evitado ao máximo.
Além disso, muitas civilizações mantinham rotinas rigorosas de banho, troca de roupas e uso de óleos perfumados.
Assim, mesmo sem papel higiênico, as pessoas conseguiam manter a higiene e a saúde. O que mudou, ao longo do tempo, foi a busca por praticidade, conforto e produção em larga escala.
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