A dieta que pode reduzir o risco de AVC e outras doenças, segundo nutricionistas

Um padrão alimentar tradicional pode esconder impacto maior do que o imaginado pelas pessoas que o praticam

Magno Oliver Magno Oliver -
A dieta que pode reduzir o risco de AVC e outras doenças, segundo nutricionistas
(Foto: Ilustração/Pexels/Arina Krasnikova)

Reconhecida mundialmente como um dos padrões alimentares mais saudáveis, a dieta mediterrânea voltou ao centro das discussões científicas após novos dados associarem sua adoção à redução do risco de Acidente Vascular Cerebral (AVC).

O padrão alimentar, tradicional de países banhados pelo Mar Mediterrâneo, é caracterizado por alto consumo de vegetais, frutas, leguminosas, peixes, azeite de oliva e oleaginosas, além de menor ingestão de carnes vermelhas e produtos ultraprocessados.

Um estudo publicado na revista científica Neurology Open Access, da Academia Americana de Neurologia, acompanhou mais de 100 mil mulheres, com idade média de 53 anos no início da pesquisa e sem histórico prévio de AVC.

As participantes foram monitoradas por cerca de 21 anos. Segundo os resultados, aquelas com maior adesão à dieta mediterrânea apresentaram 18% menos risco geral de AVC, 16% menos risco de AVC isquêmico e 25% menos risco de AVC hemorrágico, em comparação com o grupo de menor adesão.

Os pesquisadores ressaltam que o estudo demonstra associação e não causalidade direta entre o padrão alimentar e a redução do risco.

O AVC é dividido em dois principais tipos. O isquêmico, responsável por cerca de 85% dos casos, ocorre quando há obstrução de um vaso sanguíneo cerebral, geralmente associada à hipertensão e doenças cardiovasculares.

Já o hemorrágico, que representa aproximadamente 15% dos casos, envolve o rompimento de um vaso, causando sangramento cerebral.

Dados do Ministério da Saúde mostram que o AVC segue entre as principais causas de morte no Brasil, reforçando a relevância de estratégias preventivas baseadas em evidências científicas.

Especialistas explicam que os possíveis mecanismos protetores da dieta mediterrânea estão relacionados à redução de processos inflamatórios, melhora do perfil lipídico, controle da pressão arterial e maior oferta de antioxidantes.

O azeite de oliva extravirgem, por exemplo, é rico em ácidos graxos monoinsaturados e compostos fenólicos, associados à proteção vascular. Já o consumo regular de peixes fornece ômega-3, nutriente ligado à modulação inflamatória.

Diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Sociedade Brasileira de Cardiologia também destacam padrões alimentares semelhantes como aliados na prevenção cardiovascular.

A relação entre dieta mediterrânea e saúde cardiovascular não é recente. O estudo PREDIMED, publicado no New England Journal of Medicine, demonstrou redução de cerca de 30% em eventos cardiovasculares maiores entre indivíduos de alto risco que seguiram esse padrão alimentar suplementado com azeite ou oleaginosas.

Para a pesquisadora Sophia S. Wang, autora do estudo mais recente, os novos dados reforçam evidências anteriores, embora novas pesquisas sejam necessárias para aprofundar os mecanismos envolvidos.

Nutricionistas defendem que a adoção desse modelo alimentar, combinada à prática de atividade física e controle de fatores de risco, pode representar estratégia eficaz na prevenção de doenças cerebrovasculares e cardíacas.

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Magno Oliver

Magno Oliver

Jornalista formado pela Universidade Federal de Goiás. Escreve para o Portal 6 desde julho de 2023.

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