O alimento que pode reduzir a agressividade em humanos, segundo estudo
Uma substância comum pode influenciar reações emocionais intensas ao longo prazo

Um conjunto crescente de pesquisas tem reforçado a ligação entre alimentação saudável e saúde mental em plena primeira metade de 2026. E as novas análises trazem projeções boas.
Isso porque uma meta-análise conduzida por pesquisadores da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, apontou que o consumo de ômega-3, nutriente presente principalmente em peixes de águas frias, pode estar associado à redução de comportamentos agressivos em humanos.
O estudo reuniu dados de 29 ensaios clínicos randomizados, considerados padrão-ouro em pesquisa científica, com 3.918 participantes.
Publicada na revista científica Aggression and Violent Behavior, a análise incluiu estudos realizados entre 1996 e 2024, com duração média de 16 semanas.
Os resultados indicaram uma redução aproximada de 28% nos níveis de agressividade entre os participantes que receberam suplementação de ômega-3.
Segundo os autores, foram observadas diminuições tanto na agressividade reativa, resposta impulsiva a provocações, quanto na agressividade proativa, caracterizada por comportamentos planejados.
Por que o ômega-3 é bom?
O ômega-3 é um tipo de gordura poli-insaturada essencial, especialmente nas formas EPA (ácido eicosapentaenoico) e DHA (ácido docosahexaenoico).
Esses compostos exercem papel estrutural nas membranas das células cerebrais e estão envolvidos na modulação de processos inflamatórios e na comunicação entre neurônios.
Embora o mecanismo exato ainda não esteja completamente elucidado, os pesquisadores sugerem que a redução de marcadores inflamatórios e a melhora na regulação neuroquímica podem explicar parte do efeito observado.
Estudos anteriores já associaram níveis adequados de ômega-3 à menor incidência de transtornos psiquiátricos e à proteção cardiovascular.
Além disso, os possíveis efeitos comportamentais, o nutriente é amplamente reconhecido por benefícios cardiovasculares.
A American Heart Association recomenda o consumo de duas a três porções semanais de peixes ricos em ômega-3, como salmão, sardinha, atum, arenque e cavala, o que fornece entre 250 e 500 mg diários combinados de EPA e DHA.
A Organização Mundial da Saúde também destaca a importância desses ácidos graxos na prevenção de doenças crônicas não transmissíveis.
Apesar dos resultados promissores, a suplementação não deve substituir acompanhamento médico ou psicológico em casos de transtornos comportamentais graves.
Contudo, a própria equipe da Universidade da Pensilvânia ressalta que novas pesquisas são necessárias para confirmar os achados e compreender melhor os mecanismos biológicos envolvidos.
Ainda assim, os dados ampliam o debate sobre como intervenções nutricionais relativamente simples podem influenciar não apenas a saúde física, mas também aspectos relevantes do comportamento humano.
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