Paciente goiano recebe terapia experimental com polilaminina para lesão medular

Procedimento foi realizado em janeiro, com autorização excepcional concedida pela Justiça

Pedro Pedro Ribeiro -
Paciente goiano recebe terapia experimental com polilaminina para lesão medular
(Foto: Divulgação)

Um paciente goiano, com idade entre 40 e 50 anos, recebeu em janeiro deste ano uma terapia experimental com polilaminina para tratar lesão medular aguda.

O procedimento foi realizado no Centro Estadual de Reabilitação e Readaptação Dr. Henrique Santillo (Crer), em Goiânia.

O homem não integra o estudo clínico oficial em andamento, mas teve acesso ao tratamento por meio do chamado uso compassivo — autorização excepcional concedida a pacientes com doenças graves quando não há alternativas terapêuticas disponíveis.

A identidade não foi divulgada por decisão da família e em razão do processo correr em segredo de Justiça.

Segundo o médico Alan Anderson, responsável pela cirurgia, o paciente se enquadra no perfil mais comum de lesionado medular, predominantemente homens e, em grande parte, vítimas de traumas automobilísticos.

Ele explicou que o acesso ao procedimento ocorreu por meio de judicialização.

A polilaminina é um composto recriado em laboratório a partir da laminina, proteína produzida naturalmente pelo corpo humano, especialmente durante o desenvolvimento embrionário.

Pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), liderados pela cientista Tatiana Sampaio, transformaram a substância em uma estrutura capaz de atuar como uma “ponte microscópica” na área lesionada da medula espinhal.

Quando ocorre o trauma, os axônios (responsáveis por transmitir sinais do cérebro ao corpo) se rompem.

A proposta da substância é criar uma base para que esses prolongamentos possam crescer novamente e restabelecer parte da comunicação neural.

Apesar da expectativa, o tratamento ainda está em fase inicial de testes clínicos.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou, em janeiro de 2026, a continuidade da fase 1, que avalia a segurança do método.

Até o momento, os resultados divulgados envolvem apenas oito pacientes.

O secretário estadual de Saúde, Rasível Santos, informou que o governo deu apoio logístico ao procedimento, incluindo a liberação do centro cirúrgico e acompanhamento fisioterapêutico.

Especialistas alertam que um caso individual não comprova eficácia.

Estudos maiores e controlados ainda precisam ser realizados para validar segurança e resultados clínicos.

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Pedro

Pedro Ribeiro

Jornalista formado pela Universidade Federal de Goiás. Colabora com o Portal 6 desde 2022, atuando principalmente nas editorias de Comportamento, Utilidade Pública e temas que dialogam diretamente com o cotidiano da população.

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