Paciente goiano recebe terapia experimental com polilaminina para lesão medular
Procedimento foi realizado em janeiro, com autorização excepcional concedida pela Justiça

Um paciente goiano, com idade entre 40 e 50 anos, recebeu em janeiro deste ano uma terapia experimental com polilaminina para tratar lesão medular aguda.
O procedimento foi realizado no Centro Estadual de Reabilitação e Readaptação Dr. Henrique Santillo (Crer), em Goiânia.
O homem não integra o estudo clínico oficial em andamento, mas teve acesso ao tratamento por meio do chamado uso compassivo — autorização excepcional concedida a pacientes com doenças graves quando não há alternativas terapêuticas disponíveis.
A identidade não foi divulgada por decisão da família e em razão do processo correr em segredo de Justiça.
Segundo o médico Alan Anderson, responsável pela cirurgia, o paciente se enquadra no perfil mais comum de lesionado medular, predominantemente homens e, em grande parte, vítimas de traumas automobilísticos.
Ele explicou que o acesso ao procedimento ocorreu por meio de judicialização.
A polilaminina é um composto recriado em laboratório a partir da laminina, proteína produzida naturalmente pelo corpo humano, especialmente durante o desenvolvimento embrionário.
Pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), liderados pela cientista Tatiana Sampaio, transformaram a substância em uma estrutura capaz de atuar como uma “ponte microscópica” na área lesionada da medula espinhal.
Quando ocorre o trauma, os axônios (responsáveis por transmitir sinais do cérebro ao corpo) se rompem.
A proposta da substância é criar uma base para que esses prolongamentos possam crescer novamente e restabelecer parte da comunicação neural.
Apesar da expectativa, o tratamento ainda está em fase inicial de testes clínicos.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou, em janeiro de 2026, a continuidade da fase 1, que avalia a segurança do método.
Até o momento, os resultados divulgados envolvem apenas oito pacientes.
O secretário estadual de Saúde, Rasível Santos, informou que o governo deu apoio logístico ao procedimento, incluindo a liberação do centro cirúrgico e acompanhamento fisioterapêutico.
Especialistas alertam que um caso individual não comprova eficácia.
Estudos maiores e controlados ainda precisam ser realizados para validar segurança e resultados clínicos.
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