“Agora ele chora e bate na gente, o que ele não fazia antes”, diz mãe que denunciou maus-tratos em CMEI de Aparecida

Responsável pelo menino Bryan diz ter recebido relatos e prints anônimos que confirmariam episódios de agressão

Ícaro Gonçalves -
denúncia contra CMEI em Aparecida de Goiânia
Segundo denúncia, menino estaria sem professora de apoio e seria deixado sozinho na sala da secretaria (Imagem: Reprodução/Google Maps/ Captura de tela)

O caso de suposta negligência e maus-tratos envolvendo um menino autista de 4 anos voltou a chamar atenção em Aparecida de Goiânia.

A mãe da criança, Sabrina Serafim de Oliveira, narrou em entrevista exclusiva ao Portal 6 os episódios em que buscou esclarecimentos com a gestão do Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) Vila Delfiori, todos sem sucesso.

A denuncia tomou grandes proporções no dia 27 de fevereiro quando, sem conseguir respostas das autoridades, um tio de Bryan de Oliveira resolveu gravar um vídeo nas redes sociais contando sobre o caso.

À reportagem, Sabrina contou que o menino já estava matriculado no CMEI desde os 02 anos, e que nos anos letivos anteriores ele era atendido normalmente por professoras de apoio.

Mas a situação mudou no começo de 2026, com a entrada da nova gestão da unidade de ensino.

“No início desse ano, eles não contrataram [professora de apoio], e me mandaram mensagem perguntando se ele poderia ficar em casa”, afirmou a mãe.

Ela relatou que, em consequência da ausência de apoio, Bryan passou a apresentar comportamento agressivo e choroso. “Ele bate na gente, chora, fala ‘sai daqui, sai daqui’, algo que ele não fazia antes”, disse.

A mãe também afirmou que Bryan chegou a ficar isolado na sala da secretaria do CMEI, sem contato com outras crianças.

Denúncia anônima alegou episódio de violência

Ainda segundo Sabrina, ela teria recebido relatos e prints anônimos que confirmariam episódios de agressão, incluindo ocasião em que Bryan teria sido arrastado pelo braço e outro em que ele foi deixado trancado sozinho em uma sala.

As denúncias chegavam a indicar dias e horários exatos do ocorrido. Com isso, Sabrina foi à unidade de ensino e pediu acesso às imagens das câmeras de segurança, mas teve o pedido negado pela direção.

“A diretora falou que não ia me fornecer as imagens, porque envolve imagem de funcionários e crianças”, contou.

Diante da falta de respostas, a mãe acionou o Conselho Tutelar, abriu boletim de ocorrência e procurou a Defensoria Pública. Segundo ela, nenhum órgão deu uma resposta sobre o caso até o momento. Ela ainda também não teve acesso às imagens.

Após repercussão nas redes sociais e na imprensa, a Secretaria de Educação de Aparecida de Goiânia contratou uma professora de apoio para Bryan, mas a mãe diz que se senti insegura de permitir a volta do filho para o CMEI.

“Eles me passaram que o Bryan agora ia voltar para a escola, mas não me apresentaram nenhum documento ou prova de que o ocorrido foi investigado”, disse.

A mãe detalhou ainda relatos de situações graves ocorridas na escola. Em um caso, um familiar foi buscar Bryan e ninguém sabia onde ele estava, precisando mobilizar várias funcionárias para localizá-lo.

maus tratos em Aparecida de Goiânia

Prints relatam episódio de desaparecimento do menino (Imagens: Reprodução)

O impacto emocional sobre a criança é evidente, segundo Sabrina. “Ele nunca verbalizou tanto, e agora fala de forma agressiva em situações de estresse”, disse. Ela afirmou que já buscou acompanhamento com neurologista e psicólogas para avaliação do comportamento.

Além da negligência com Bryan, a mãe relata falhas sistemáticas da instituição na inclusão. “Meu filho nunca preencheu ficha de acompanhamento anual, e sempre fiz a solicitação de professor de apoio apenas com laudo médico”, explicou.

Por fim, Sabrina reforçou à reportagem que seu objetivo não é punir a gestão, mas garantir a segurança e o bem-estar do filho e demais crianças atendidas pela instituição. “Meu objetivo é ver realmente o que aconteceu e manter meu filho seguro”, disse.

Ao Portal 6, a Prefeitura de Aparecida de Goiânia informou que já foi feita a contratação de professora de apoio para a unidade CMEI Vila Delfiori. A pasta também nega as denúncias de maus-tratos e negligência.

Confira a nota na íntegra:

A Secretaria Municipal de Educação informa que o aluno mencionado na reportagem já está sendo devidamente assistido por professor de apoio, designado após análise técnica dos documentos e informações repassados pelos responsáveis.

Assim que a avaliação foi concluída pela equipe especializada da pasta, o profissional foi escalado para atuar diretamente ao lado do estudante, garantindo o atendimento pedagógico adequado.

A Secretaria esclarece ainda que são infundadas as denúncias de maus-tratos à criança.

A gestão reforça seu compromisso com a transparência, a segurança dos estudantes e o cumprimento integral das normas que regem a educação inclusiva na rede municipal.

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Ícaro Gonçalves

Jornalista formado pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC Goiás) e mestre em Comunicação pela Universidade Federal de Goiás (UFG).

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