MPGO está investigando esquema que deu bolsa de estudo para alunos ricos na gestão Roberto Naves
Inquérito civil público é a primeira etapa para órgão apontar responsáveis, que em última instância deverão ressarcir os cofres públicos
O Ministério Público de Goiás (MPGO) oficializou a investigação sobre as irregularidades na concessão de bolsas de estudo de medicina em Anápolis, esquema que ocorreu durante a gestão do ex-prefeito Roberto Naves (Republicanos).
O caso, que ficou conhecido como a “farra das bolsas”, foi revelado em primeira mão pelo Portal 6 no final de 2025 e resultou na suspensão do programa pela atual Administração Municipal.
O foco da apuração recai sobre possíveis fraudes nos processos de inscrição e renovação de alunos no programa graduação, além do prejuízo aos cofres públicos.
O programa basicamente consistia em uma ajuda de custo, que podia chegar a 100%, a alunos que comprovassem a necessidade ante a baixa renda.
Conforme o documento assinado pelo promotor Paulo Henrique Martorini, da 5ª Promotoria de Justiça de Anápolis, o órgão acatou a denúncia apresentada pela gestão de Márcio Corrêa (PL).
O texto do MPGO é incisivo ao determinar a necessidade de:
“Incluir, como objeto de investigação, a apuração da ocorrência de fraudes no processo de inscrição, renovação e/ou renovação de discentes no Programa Graduação, bem como de eventual participação dolosa de agentes públicos, além dos danos causados ao Erário em razão do pagamento indevido de mensalidades em favor de quem não fazia jus ao benefício”.
A decisão de levar o caso adiante reforça os indícios de que o benefício, destinado a pessoas de baixa renda, serviu para custear mensalidades de estudantes de alto poder aquisitivo.
Inclusive, o prefeito Márcio Corrêa utilizou suas redes sociais para endossar a medida e destacar que já havia apontado o desvio de finalidade do projeto antes mesmo de assumir o Executivo.
“Filhos de ricos, filhos de empresários, de fazendeiros sendo beneficiados com bolsa integral. Não respeitaram nenhum critério para beneficiar esses estudantes”, afirmou o atual prefeito ao comentar a abertura do inquérito.
A investigação agora busca identificar a extensão dos danos financeiros e o grau de envolvimento de agentes públicos da gestão anterior na facilitação dessas bolsas.
A suspensão do programa pela Prefeitura de Anápolis ocorreu logo após as primeiras evidências de ilegalidade virem à tona, sob o argumento de estancar a evasão de recursos públicos destinados de forma indevida.
Relembre
A iniciativa inclusive foi suspensa em fevereiro do mesmo ano, com Márcio inclusive afirmando que iria buscar reparações judiciais em casos de comprovada má-fé.
O caso ganhou um novo pontapé em julho quando, conforme divulgado em primeira mão pelo Portal 6, o juiz Gabriel Lisboa, da Vara da Fazenda Pública Municipal de Anápolis, encaminhou ao MP o caso de uma estudante envolvida no esquema.
A apuração inicial foi de que, apesar de se beneficiar de 100% de desconto na mensalidade de medicina da faculdade UniEVANGÉLICA, a jovem mantinha um padrão de vida que não condizia com a declaração de renda.
A estudante sustentava que dependia apenas dos avós maternos, com renda familiar de três salários mínimos. Porém, até mesmo o processo de ingresso no programa foi assinado pela mãe da estudante, advogada e servidora pública estadual com vencimentos de R$ 8.496,10 mensais à época.
Nas semanas que se seguiram, diversos outros discentes com perfis semelhantes também foram sendo “desmascarados” pela mídia.
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