Prefeitura revela detalhes de plano de R$ 580 milhões para combater alagamentos em Goiânia
Executivo municipal prevê recursos advindos de fundo do Governo Federal, criado especificamente para ações de adaptação às mudanças climáticas
A Prefeitura de Goiânia revelou detalhes a respeito de um plano de macrodrenagem, visando solucionar (ou ao menos reduzir) os problemas com alagamentos na capital, questão que se repete ano após ano no município.
Em entrevista ao Jornal Opção, o prefeito Sandro Mabel (União) revelou que pretende reconstruir completamente a Marginal Botafogo, além de construir novas bacias de contenção em regiões críticas, como os córregos Capim Puba e Cascavel.
Para isso, o Executivo municipal prevê um investimento de R$ 580 milhões. Contudo, esse recurso precisaria ser obtido por meio de um empréstimo, que viria através do Fundo Clima.
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Essa linha de financiamento do Governo Federal é voltado para ações de adaptação às mudanças climáticas.
Segundo o prefeito, a obra mais cara e considerada prioritária é justamente a Marginal Botafogo, uma das vias que mais registra interdições e danos estruturais durante o período chuvoso.
“A indicação das obras pode mudar no decorrer do financiamento, mas, hoje, a obra mais cara que nós visualizamos é realmente a Marginal Botafogo”, afirmou ao Jornal Opção.

Imagem ilustrativa de intervenção realizada na Marginal Botafogo, em Goiânia. (Foto: Divulgação/Joabe Mendonça)
Bacias de contenção
Além dos planos para a Marginal Botafogo, o prefeito também detalhou os projetos para as bacias de contenção nos córregos Capim Puba e Cascavel.
A ideia é reduzir a velocidade das águas antes que elas cheguem aos rios, diminuindo o risco de enchentes e erosões.
Mabel também explicou que o represamento do Córrego Capim Puba, causado pela elevação do Rio Meia Ponte, ajuda a explicar os frequentes alagamentos registrados em bairros como a Vila Roriz.
“São problemas complexos, mas que podem ser solucionados com um conjunto de obras”, disse.
Drenagem urbana
O projeto é baseado no Plano Diretor de Drenagem Urbana de Goiânia (PDDU-GYN), elaborado pela Universidade Federal de Goiás (UFG) em parceria com a Defesa Civil e outros órgãos.
O documento reúne uma série de medidas para enfrentar os alagamentos históricos da capital, incluindo a criação de jardins de chuva, pavimentos permeáveis, sistemas de monitoramento e mecanismos permanentes de gestão da drenagem.
Coordenador do plano e professor da UFG, Klebber Formiga afirmou ao Jornal Opção que a estratégia vai além da ampliação de galerias e canais.
“Se você melhora um bueiro ou aumenta uma ponte, você transfere esse alagamento para o ponto da frente. A solução é reter a cheia antes que ela cause o alagamento”, explicou.

Klebber Formiga é professor da UFG e coordenador do Plano Diretor de Drenagem Urbana de Goiânia (PDDU-GYN). (Foto: Reprodução/UFG)
Segundo o especialista, Goiânia possui uma rede de microdrenagem considerada razoável para os padrões brasileiros, mas ainda há bairros sem estrutura adequada e locais em que a água sequer consegue chegar às bocas de lobo.
Outra medida considerada essencial é a aprovação da Lei de Drenagem de Goiânia, que deverá exigir que novos empreendimentos armazenem parte da água da chuva dentro dos próprios lotes antes de lançá-la na rede pública.
Prazo incerto
Apesar do anúncio, o pacote de investimentos ainda precisará passar pela Câmara Municipal, além de obter o aval do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), do Tesouro Nacional e do Senado Federal. A expectativa é que o processo leve mais de um ano.
A Prefeitura, entretanto, pretende adiantar os projetos executivos para iniciar as obras assim que os recursos forem liberados.
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