Espanha apura possível rede de barriga de aluguel em partos de brasileiras

Uma das linhas de investigação é a existência de um esquema de gestação por substituição

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Espanha apura possível rede de barriga de aluguel em partos de brasileiras
(Foto: Reprodução/Agência Brasil)

SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – A Polícia Nacional da Espanha investiga se há uma possível rede de barriga de aluguel por trás de cerca de 30 partos de mulheres brasileiras atendidas desde maio em um hospital de Burgos, no norte do país. A informação foi publicada pelo jornal espanhol el Diario.

Investigação começou após alerta de profissionais de saúde do Hospital Universitário de Burgos.

Parte das gestantes teria ido à unidade de saúde para a última consulta pré-natal ou diretamente para dar à luz, e algumas apareceram acompanhadas do mesmo homem, apresentado como pai dos bebês.

Uma das linhas de investigação é a existência de um esquema de gestação por substituição. A polícia avalia se os padrões repetidos como o mesmo suposto pai e endereços semelhantes podem indicar uma rede ligada à barriga de aluguel, com possibilidade de surgirem novos casos.

Autoridades analisam indícios de organização por trás dos atendimentos. A investigação, conduzida pela Unidade de Estrangeiros, ainda não identificou um crime específico ligado ao caso. Uma outra hipótese é que mulheres teriam viajado ao país por causa dos custos menores do parto.

Custos do parto na Bélgica são altos, segundo a polícia. A apuração considera que mulheres sem cobertura de saúde no país podem enfrentar despesas elevadas para dar à luz, o que teria motivado a busca por atendimento na Espanha.

Registros de endereço também chamaram a atenção dos investigadores. Segundo a reportagem do el Diario, as mulheres se apresentaram como moradoras de imóveis em dois municípios da região de Las Merindades, Medina de Pomar e Villarcayo, embora viessem da Bélgica.

Apuração tenta entender o que levou às mulheres ao mesmo hospital. Entre 15 e 18 mulheres teriam dado à luz em junho e julho, além de outras atendidas em maio, até chegar ao total aproximado de 30 casos na mesma unidade de saúde.

Investigadores dizem que o caso exige cautela para checar vínculos e endereços reais. A polícia tenta localizar as mulheres e confirmar filiações e domicílios, já que os dados apresentados nos registros não batem com a origem apontada, ligada à Bélgica.

Hospital comunicou formalmente o caso às autoridades. O Hospital Universitário de Burgos informou a Polícia Nacional sobre o padrão observado nos atendimentos, o que deu início à investigação.

Unidade de saúde afirma que atende qualquer paciente, independentemente de nacionalidade ou origem. “Somos obrigados a atender. E não só o parto, atendemos o que chega. E nesses casos elas costumam vir para a última consulta e depois já se programa o restante do atendimento”, disseram fontes oficiais do estabelecimento ao el Diario.

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