Trabalhador com carteira assinada deve se preparar para possíveis mudanças em 2026

Ano concentra decisões do Congresso, do Supremo Tribunal Federal e normas do Executivo que podem alterar jornada, salário, trabalho aos domingos e o nível de fiscalização

Pedro Ribeiro Pedro Ribeiro -
carteira de trabalho
Carteira de Trabalho e Previdência Social. (Foto: Marcello Casal/Agência Brasil)

O ano de 2026 deve representar um ponto de inflexão nas regras que regem o trabalho com carteira assinada no Brasil.
Medidas que vêm sendo discutidas há anos, algumas já aprovadas e outras em fase final de consolidação, passam a produzir efeitos concretos na rotina e no bolso do trabalhador.

Esse cenário resulta da convergência entre decisões do Congresso Nacional, entendimentos firmados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e a modernização dos sistemas de controle do governo.
Na prática, direitos passam a ser reinterpretados, obrigações se tornam mais rígidas e a fiscalização ganha velocidade inédita.

Embora parte dessas normas tenha entrado em vigor entre 2023 e 2025, o impacto mais visível ocorre a partir de 2026.
É nesse momento que empresas e trabalhadores sentem os efeitos combinados de menos horas trabalhadas, novas exigências legais e maior controle sobre contratos e pagamentos.

Um dos temas mais sensíveis é a possível redução da jornada semanal.
A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 148 prevê a diminuição da carga de 44 para 40 horas, com transição gradual que pode levar ao patamar de 36 horas semanais.

Caso avance, a mudança afeta diretamente escalas, horas extras, adicionais e a própria organização da vida pessoal do trabalhador.
Setores que dependem de turnos extensos, como comércio e serviços, tendem a passar por readequações profundas.

O trabalho aos domingos e feriados também sofre alteração relevante.
A partir das novas regras, especialmente no comércio, a atuação nesses dias depende de convenção coletiva firmada com o sindicato da categoria.

Isso significa que o empregador não poderá mais escalar funcionários livremente, sem negociação formal.
A medida fortalece o papel dos sindicatos e amplia a proteção ao descanso semanal, com impacto direto na qualidade de vida.

No campo da remuneração, o salário mínimo previsto para janeiro de 2026 é de R$ 1.621.
O reajuste não se limita ao valor recebido na folha, pois influencia benefícios previdenciários, assistenciais e trabalhistas vinculados ao mínimo.

Auxílios, aposentadorias, pensões e abonos passam a ter novos valores, alterando o orçamento de milhões de famílias.
Para empresas, o aumento eleva encargos e custos, exigindo maior planejamento financeiro.

Outro ponto que ganha peso é a saúde mental no ambiente de trabalho.
Empresas passam a ser cobradas por políticas preventivas, combate ao assédio e condições que reduzam adoecimentos psicológicos.

O descumprimento dessas obrigações pode gerar ações judiciais mais severas.
O STF autorizou indenizações por danos morais acima dos limites fixados pela reforma trabalhista em situações consideradas graves.

Paralelamente, a fiscalização se torna mais eficiente com o avanço dos sistemas digitais.
O FGTS digital, com recolhimento via Pix, permite rastreamento quase imediato de atrasos e inconsistências.

O eSocial centraliza informações sobre vínculos, salários, férias, afastamentos e desligamentos.
Com dados integrados, cruzamentos automáticos aumentam a chance de autuações rápidas e cobranças diretas.

Diante desse novo cenário, 2026 exige do trabalhador mais atenção, informação e acompanhamento ativo dos próprios direitos.
Entender as mudanças deixa de ser opção e passa a ser uma forma de proteção em um ambiente trabalhista mais controlado e exigente.

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Pedro Ribeiro

Pedro Ribeiro

Jornalista formado pela Universidade Federal de Goiás. Colabora com o Portal 6 desde 2022, atuando principalmente nas editorias de Comportamento, Utilidade Pública e temas que dialogam diretamente com o cotidiano da população.

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