Enquanto a Tesla focava nos veículos elétricos, empresa desenvolveu combustível sem petróleo
Conheça a tecnologia que transforma o gás do efeito estufa em energia para o motor

Enquanto a Tesla focava nos veículos elétricos, uma empresa desenvolveu um combustível sem petróleo que pode mudar os rumos da mobilidade mundial.
Por décadas, a inovação em energia limpa tentou equilibrar dois objetivos difíceis: ser ecologicamente correta e, ao mesmo tempo, prática para o dia a dia.
Carros elétricos são ótimos para reduzir emissões, mas ainda enfrentam desafios como o tempo de recarga e a necessidade de uma infraestrutura imensa de carregadores.
Além disso, a transição global para a eletricidade é lenta, pois existem bilhões de veículos com motores tradicionais rodando pelas ruas hoje.
Como criar gasolina usando apenas ar e água
A responsável por essa inovação é a startup Aircela, fundada em 2019. Diferente das baterias da Tesla, o foco aqui é a síntese modular de combustível.
A máquina utiliza um processo que captura o dióxido de carbono (CO2) diretamente do ar ambiente.
Em seguida, esse carbono é combinado com hidrogênio extraído da água através de eletricidade renovável.
O resultado final é um combustível sem petróleo líquido, perfeitamente adequado para qualquer motor de combustão interna comum.
Durante uma demonstração pública realizada em maio de 2025, o dispositivo criou gasolina utilizável em tempo real.
O combustível produzido não contém enxofre nem etanol, e o melhor de tudo: não exige nenhuma modificação no motor do carro ou nos sistemas de abastecimento dos postos.
Quimicamente, ele se comporta exatamente como a gasolina comum, porque, na essência, ele é gasolina, mas produzida de forma sintética e limpa.
Vantagens da produção local e modular
Diferente das grandes usinas de combustíveis sintéticos que exigem bilhões em investimento, o sistema da Aircela é pequeno e modular.
A ideia é produzir o combustível sem petróleo exatamente onde ele é necessário.
Isso elimina a dependência de oleodutos, caminhões-tanque ou grandes refinarias.
Essa tecnologia é ideal para locais remotos, canteiros de obras ou comunidades isoladas onde o transporte de combustível fóssil é caro e ineficiente.
Além disso, a compatibilidade é o maior trunfo dessa inovação.
Hoje, existem mais de 1,4 bilhão de veículos com motor a combustão no mundo.
Substituir todos por modelos elétricos levaria décadas e custaria trilhões.
Ao criar um combustível que funciona na frota atual, a empresa oferece uma ponte para a descarbonização sem exigir que as pessoas troquem de carro ou que os governos instalem milhões de carregadores elétricos rapidamente.
Desafios de energia e sustentabilidade
Apesar do entusiasmo, existem pontos de atenção. A produção de combustível sem petróleo é um processo que consome muita energia.
Para que ele seja realmente neutro em carbono, a eletricidade usada pela máquina precisa vir de fontes limpas, como sol ou vento.
Se a máquina for ligada em uma rede elétrica movida a carvão, por exemplo, o benefício ambiental diminui bastante.
A Agência Internacional de Energia destaca que a eletrólise do hidrogênio ainda é cara e intensiva.
No entanto, em zonas de desastre ou postos militares, a independência de combustível pode ser mais importante do que o custo inicial.
A Aircela já conta com o apoio de gigantes como a Maersk, que vê potencial nessa tecnologia para limpar as emissões do transporte marítimo de longa distância.
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