Fim da jornada 6×1: supermercados começam a adotar escala 5×2 para segurar funcionários e enfrentar escassez de mão de obra
Mudança no varejo ocorre em meio à falta de trabalhadores em várias regiões do país e avança paralelamente ao debate sobre o fim da escala 6×1 no Congresso

A dificuldade para contratar e manter funcionários tem levado supermercados a reverem um dos modelos mais tradicionais do mercado de trabalho brasileiro: a jornada 6×1.
Em resposta à escassez de mão de obra, redes do varejo já começaram a testar a escala 5×2, com dois dias consecutivos de descanso semanal, como forma de tornar as vagas mais atrativas.
Em São Paulo, o Grupo Savegnago iniciou a adoção da nova jornada de forma experimental em unidades localizadas no interior do estado.
A rede substituiu a escala de seis dias trabalhados por apenas um de folga pelo modelo de cinco dias de trabalho e dois de descanso consecutivos, mantendo a carga semanal de 44 horas prevista na legislação trabalhista.
Na prática, as horas são redistribuídas ao longo da semana, com jornadas diárias mais longas, mas garantindo dois dias seguidos de folga.
A avaliação interna do grupo é de que a mudança melhora a disposição dos funcionários, reduz a rotatividade e contribui para reter trabalhadores em um setor que enfrenta dificuldade crescente para preencher vagas operacionais.
Falta de mão de obra pressiona empresas em todo o país
O movimento observado em São Paulo reflete um cenário mais amplo. A escassez de trabalhadores tem pressionado empresas em diferentes regiões do Brasil, levando estados a adotarem medidas inéditas para lidar com a falta de pessoal.
No Espírito Santo, supermercados, atacarejos, minimercados e lojas de material de construção deixarão de funcionar aos domingos a partir de 1º de março, conforme acordo firmado em convenção coletiva entre sindicatos de trabalhadores e entidades patronais.
A medida será adotada em caráter experimental e tem como principal justificativa a dificuldade do setor em manter equipes completas, especialmente para jornadas que exigem trabalho contínuo aos fins de semana.
A decisão expôs publicamente um problema que já vinha sendo enfrentado por empresas de diferentes segmentos. Mesmo com vagas abertas, empregadores relatam dificuldade para atrair candidatos dispostos a aceitar rotinas consideradas desgastantes, o que tem forçado a reorganização de horários e escalas de trabalho.
Debate avança no Congresso Nacional
Paralelamente às mudanças adotadas por iniciativa privada e acordos regionais, o tema ganhou força em Brasília. Tramita no Congresso Nacional um projeto de emenda à Constituição que propõe o fim da escala 6×1, com a redução da jornada semanal e a garantia de dois dias de descanso, sem prejuízo salarial.
Embora a proposta ainda esteja em fase de discussão, o avanço do debate tem influenciado decisões empresariais, que passaram a enxergar a reorganização da jornada como uma necessidade prática diante da escassez de mão de obra, e não apenas como pauta sindical ou política.
Tendência pode alcançar outros setores
Especialistas avaliam que a adoção da escala 5×2 no varejo pode servir de termômetro para outros segmentos da economia, especialmente aqueles que dependem de mão de obra presencial e enfrentam alta rotatividade, como serviços, logística, alimentação, hotelaria e indústria.
Caso os resultados se mostrem positivos, a tendência é que o modelo avance para outras regiões do país e para diferentes setores, antecipando, na prática, mudanças que ainda estão em discussão no campo legislativo.
Enquanto a legislação não muda, empresas tentam se adaptar à nova realidade do mercado de trabalho brasileiro, onde a oferta de vagas já não garante, sozinha, a presença de trabalhadores dispostos a ocupar os postos disponíveis.
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