A descoberta arqueológica do século: a cidade submersa semelhante à Atlântida no fundo de um lago

Cidade submersa encontrada no Lago Issyk Kul pode reescrever a história da Rota da Seda e revelar uma metrópole perdida sob as águas da Ásia Central

Gabriel Yuri Souto Gabriel Yuri Souto -
Pesquisadores anunciaram a descoberta de uma cidade submersa no Lago Issyk Kul, ligada à Rota da Seda e afetada por um terremoto no século XV.
(Foto: Reprodução)

Pesquisadores da Academia Russa de Ciências anunciaram a descoberta de uma cidade submersa no Lago Issyk Kul, no Quirguistão.

O achado ocorreu no complexo Toru-Aygyr, na região noroeste do lago, e chamou a atenção da comunidade científica internacional.

Segundo os arqueólogos, o local abrigou uma antiga metrópole que acabou encoberta pelas águas após um grande evento sísmico.

As escavações subaquáticas aconteceram em áreas rasas, com profundidades entre um e quatro metros.

Durante os trabalhos, a equipe encontrou paredes de tijolos cozidos, vigas de madeira, pedras de moinho e outros vestígios estruturais.

Esses elementos mostram que o assentamento possuía construções permanentes e uma organização urbana avançada.

Ligação direta com a Rota da Seda

Além da estrutura urbana, os pesquisadores identificaram fortes indícios de que a cidade integrava a Rota da Seda. Na época, comerciantes cruzavam a região transportando seda, especiarias e metais preciosos.

Ao mesmo tempo, crenças religiosas, costumes e conhecimentos técnicos circulavam entre o Oriente e o Ocidente.

Essa posição estratégica transformou o assentamento em um importante ponto de intercâmbio cultural e econômico. Por isso, a descoberta amplia o entendimento sobre como funcionavam as redes comerciais na Ásia Central durante a Idade Média.

Edifícios públicos e necrópole islâmica

Entre os achados, os arqueólogos destacaram um edifício público de grandes proporções. De acordo com a equipe, a construção pode ter funcionado como mesquita, banho público ou madressa.

Em outra área do sítio, surgiram sepultamentos que formam uma necrópole muçulmana do século XIII.

Os túmulos seguem práticas islâmicas tradicionais, com os esqueletos posicionados em direção à qibla. Esse detalhe confirma a presença consolidada do islamismo e ajuda a datar a ocupação do local com maior precisão.

Terremoto pode explicar o desaparecimento da cidade

Segundo Valery Kolchenko, líder da expedição, um forte terremoto no início do século XV provocou o colapso das construções e o avanço das águas sobre a cidade.

No entanto, pesquisadores também avaliam a possibilidade de que a população tenha abandonado o local antes do desastre.

Caso essa hipótese se confirme, o esvaziamento prévio pode ter evitado uma tragédia humana. Após o abandono, grupos nômades passaram a ocupar a região, enquanto pequenas aldeias se formaram ao redor do lago ao longo dos séculos.

Análises laboratoriais e próximos passos

Os artefatos coletados seguem agora para análises laboratoriais detalhadas. Os pesquisadores utilizam datação por radiocarbono com espectrometria de massa acelerada para estabelecer cronologias mais precisas.

Além disso, estudos químicos devem revelar informações sobre o cotidiano e as atividades econômicas da antiga cidade.

Se as análises confirmarem as hipóteses iniciais, a cidade submersa no Lago Issyk Kul entrará para a lista de sítios arqueológicos fundamentais da Rota da Seda.

Com isso, historiadores poderão ampliar o conhecimento sobre comércio, religião e vida urbana na Ásia Central medieval.

Enquanto isso, as pesquisas continuam. Novas prospecções devem delimitar a extensão do sítio e ajudar a reconstruir a história de uma cidade que permaneceu escondida sob as águas por séculos.

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Gabriel Yuri Souto

Gabriel Yuri Souto

Redator e gestor de tráfego. Especialista em SEO.

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