Mãe de motoboy atingido por galho na Praça Dom Emanuel faz apelo 10 meses após acidente: “Só quero os remédios”

Maxsuel Mishainer Soares de Souza esperava por novas corridas quando recebeu o impacto, que o deixou inconsciente

Natália Sezil Natália Sezil -
Motoboy Maxsuel Mishainer antes do acidente, durante o tratamento e posteriormente, em casa.
Maxsuel Mishainer antes do acidente, durante o tratamento e posteriormente, em casa. (Foto: Reprodução/Redes Sociais e Acervo Pessoal)

Quase 10 meses após ser atingido por um galho enquanto descansava na Praça Dom Emanuel, em Anápolis, o motoboy Maxsuel Mishainer Soares de Souza, de 22 anos, ainda enfrenta dificuldades no dia a dia.

Neuza Soares, mãe do jovem, contou ao Portal 6 que cuida sozinha de Maxsuel desde o dia do acidente. Com o filho sem andar, comer ou fazer as necessidades por conta própria, ela tem na ponta da língua o que diz precisar: “eu não quero nada [para mim]. O que eu quero são fisioterapia e remédios”.

Maxsuel depende, atualmente, de quatro medicamentos. Usados para diminuir espasmos, evitar crises, combater dores intensas e tratar depressão, eles chegam a custar R$ 400 todos os meses.

O valor corresponde a dois terços de toda a renda que Neuza consegue. Com a voz embargada, ela explica que não consegue trabalhar porque precisa se dedicar exclusivamente ao filho. A solução encontrada foi alugar a própria casa.

“Estamos eu e ele vivendo em um único cômodo. Precisei alugar a minha casa porque estava sem renda nenhuma. Tenho R$ 600 mensais e só”, desabafa.

Além dos medicamentos, Neuza ainda precisa custear duas sessões semanais de fisioterapia na Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) – “o que já é abaixo do recomendado pelos médicos, mas é o que consigo cobrir”, explica.

Segundo a mãe do jovem, a rede de apoio que tem são os amigos de Maxsuel. Ainda assim, a ajuda não chega a ser suficiente nos dias atuais. “Nós já fizemos pamonhada, os amigos organizaram galinhada, fizeram rifas, mas hoje não temos nada sendo feito”, detalhou.

Neuza diz que a situação impede até mesmo o contato que o filho consegue ter com o neto dela. “Ele tem um filho de um ano e seis meses, que fica com a mãe e a outra avó. Mas não consigo nem trazer para visitar, porque não sobra o dinheiro do Uber”, relata.

De acordo com Neuza, ela procurou ajuda da Prefeitura de Anápolis, mas não conseguiu retorno. Ela defende: “Pedimos até uma cama, porque o Maxsuel saiu do hospital com traqueostomia, sonda e escaras. Não tenho novidade nenhuma sobre isso porque não tive resposta”.

O Portal 6 procurou a Administração Municipal, que alegou que o jovem “vem recebendo suporte por meio da rede pública, dentro das atribuições do município”.

A Prefeitura detalhou que “auxiliou com os encaminhamentos necessários para atendimento especializado na APAE, onde o paciente realiza tratamento e tem disponível transporte uma vez por semana. Também foi pactuado um segundo dia de atendimento, ficando o deslocamento sob responsabilidade da família, conforme acordo previamente estabelecido e aceito pelos familiares”.

A gestão diz que Maxsuel aguarda a disponibilização de órteses pelo CRER, para auxiliar na mobilidade, e afirma que a família foi incluída no Programa Bolsa Família. Relata, ainda, que foi solicitado o Benefício de Prestação Continuada (BPC/LOAS), que aguarda liberação do INSS.

A quem se interessar em ajudar, Neuza disponibiliza a chave PIX 61 99131-2702.

*Colaborou Samuel Leão.

 

 

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Natália Sezil

Natália Sezil

Estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Goiás, é estagiária do Portal 6 e atua na cobertura do cotidiano. Apaixonada por boas histórias, gosta de ouvir as pessoas, entender contextos e transformar relatos em narrativas que informam e conectam o público.

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